Diplomatas brasileiros e auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) detectaram a volta da influência de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nas decisões da Casa Branca.
O caminho utilizado envolvendo integrantes da gestão de Donald Trump que seguem a linha mais radical do chamado movimento Maga (Make America Great Again).
Reclassificação de facções pelos EUA mobiliza Itamaraty
A leitura do governo brasileiro é que a ideia de classificar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) como terroristas é resultado de uma articulação entre aliados do ex-presidente e as figuras mais radicais da extrema-direita trumpista com o objetivo de criar uma armadilha para Lula em um ano eleitoral.
Na prática, o governo brasileiro prevê que uma classificação desse tipo nas facções que atuam no país abriria caminho para intervenções militares norte-americanas no território nacional, ferindo a soberania do Brasil, além da aplicação de sanções a instituições financeiras brasileiras.
RETOMADA DA INFLUÊNCIA
A avaliação no Palácio do Planalto e no Itamaraty é que esses grupos perderam influência nas decisões da Casa Branca após o fracasso do tarifaço e das sanções contra autoridades brasileiras, mas “ressuscitaram” nas últimas semanas no entorno trumpista, especialmente no Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fala com repórteres no dia das reuniões informativas confidenciais para o Senado e a Câmara dos Representantes dos EUA sobre a situação no Irã.
Há dúvidas se a ideia de classificar as facções brasileiras como terroristas irá prosperar, mas o governo brasileiro montou uma espécie de contra-ofensiva para evitar a medida.
VISITA AO EX-PRESIDENTE
Uma das figuras do Maga no entorno de Trump é Darren Beattie, assessor do presidente americano para políticas ligadas ao Brasil.
Lotado no Departamento de Estado, Beattie foi nomeado para o cargo no final de fevereiro e tem histórico de ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao governo brasileiro, além de participação em eventos de nacionalistas brancos.
Nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o encontro entre Beattie e Jair Bolsonaro na prisão, mas em data diferente da pedida por Beattie. A defesa de Bolsonaro recorreu da decisão, pedindo que a visita ocorra na data pedida inicialmente.
CONTRA-OFENSIVA BRASILEIRA
No sábado, o chanceler Mauro Vieira telefonou para Rubio. A conversa girou em torno da visita de Lula a Trump, ainda sem data para ocorrer, mas Vieira pediu a Rubio para que não tome decisões sobre o tema antes do encontro entre os presidentes.
Nesta semana, Lula conversou por telefone com os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e do México, Cláudia Sheinbaum.
TESTE PARA “QUÍMICA” ENTRE LULA E TRUMP
Integrantes do governo avaliam que a associação entre o atraso da reunião entre Lula e Trump, inicialmente prevista para meados de março, e a nova onda de influência dos radicais do Maga pode esfriar a relação entre os presidente, descrita por ambos como de uma “química excelente” após os contatos presenciais ou por telefone.




