A ida de Michelle Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal para tratar da possível prisão domiciliar de Jair Bolsonaro provocou reação negativa entre aliados do ex-presidente e expôs uma disputa interna no bolsonarismo. A ex-primeira-dama se reuniu sozinha com o ministro Alexandre de Moraes, sem a presença de advogados ou integrantes da defesa, o que foi interpretado como mais uma tentativa de protagonismo político.
No encontro, realizado no gabinete do ministro em Brasília, Michelle apresentou argumentos relacionados à saúde do ex-presidente. Segundo Mônica Bérgamo, da Folha, ela teria destacado que Bolsonaro não pode permanecer sozinho durante a noite devido ao risco de broncoaspiração. Moraes a recebeu acompanhado de sua chefe de gabinete, Cristina Gomes, e deve decidir nos próximos dias se autoriza a transferência para prisão domiciliar.
A iniciativa gerou incômodo entre aliados, que diferenciam a atuação de Michelle da de Flávio Bolsonaro. O senador, além de filho, é advogado e integra formalmente a defesa do pai, tendo participado de audiência com Moraes acompanhado de outros advogados, conferindo caráter institucional ao encontro.
“A Michelle se manifestou publicamente já várias vezes, desde o meu pré-lançamento no dia 11 de novembro, como pelas redes sociais dela várias vezes. Vamos ter agendas em breve, depois da internação do ex-presidente”, afirmou a deputada Bia Kicis.
Já aliados de Flávio defendem o nome do senador Izalci Lucas como alternativa de centro-direita, proposta rejeitada pelo grupo ligado à ex-primeira-dama.
Paralelamente, o avanço das investigações sobre o Banco Master e o desgaste político do entorno do governador Ibaneis Rocha no Distrito Federal ampliaram o espaço de Michelle dentro do grupo bolsonarista. Com a perda de um dos principais eixos de articulação local, parlamentares passaram a recorrer diretamente à ex-primeira-dama, que passou a influenciar decisões sobre candidaturas para 2026.
O movimento a colocou em rota de colisão com Flávio Bolsonaro, que vinha conduzindo a estratégia nacional do grupo. No DF, a divergência ficou evidente na formação de chapas: Michelle defende uma composição com seu nome e o da deputada Bia Kicis para o Senado, além de apoiar Celina Leão ao governo local.
A Procuradoria-Geral da República já se manifestou favorável ao pedido, aumentando a expectativa por uma decisão positiva. Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão no processo da trama golpista e estava detido na Papuda antes de ser transferido para um hospital após passar mal. Ele deixou a UTI na segunda-feira (23), reacendendo o debate sobre seu estado de saúde e as condições de cumprimento da pena.
Essa movimentação causou desconforto na base bolsonarista, especialmente com a mudança de influência de Michelle em relação a Flávio, evidenciando rachaduras internas e novas lideranças surgindo no cenário político do grupo.




