Aluno denuncia academia por advertência de short inadequado

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Aluno denuncia ter sido advertido por academia ao usar short considerado inadequado

O aluno Marcus Andrade, de 42 anos, que denunciou ter sido advertido por usar um short considerado inadequado em uma academia de Anápolis, a 55 km de Goiânia, deve receber R$ 20 mil após entrar com uma ação de indenização por danos morais contra o estabelecimento.

A condenação foi determinada pela juíza Luciana de Araújo Camapum Ribeiro do 3º Juizado Especial Cível de Anápolis, na terça-feira (3). Cabe recurso da decisão.

CONDENAÇÃO

No documento obtido pelo g1, a magistrada entendeu que a advertência inicial feita ao aluno dentro da academia sobre sua roupa não configurou, por si só, um ato ilícito. Segundo a sentença, o estabelecimento tem o poder de gerir e estabelecer códigos de vestimenta, e a abordagem foi feita de forma discreta em uma sala reservada.

O ponto determinante para a condenação foi a nota oficial publicada pela academia em resposta à repercussão do caso na mídia. A juíza considerou que houve uma falha na prestação do serviço na comunicação pós-contratual.

A sentença destacou ainda que, ao utilizar a justificativa de “agradar e honrar a Deus” em sua nota oficial para explicar a postura contra o aluno, que é homossexual, a academia introduziu um componente religioso inadequado que potencializou a repercussão negativa e reforçou a percepção pública de reprovação moral vinculada à orientação sexual de Marcus.

A juíza considerou que o ato resultou em ofensa direta à dignidade e honra do aluno. O valor de R$ 20 mil foi determinado com caráter pedagógico, visando coibir práticas semelhantes.

RELEMBRE O CASO

O caso aconteceu na manhã do dia 30 de junho de 2025, após o aluno ter finalizado o seu treino na academia, localizada no Jardim Europa. Marcus nunca havia tido problema com o local antes do episódio de repreensão.

Ele havia finalizado o treino e aguardava uma carona do marido quando foi conduzido até uma sala de vidro para ser alertado sobre o tamanho de sua roupa. De acordo com Marcus, disseram que o short não era apropriado “porque ia contra o código de vestimenta da academia, e que eles prezavam pela moral e pelos bons costumes, que aquilo era um ambiente familiar”, relatou.

Na época, a academia afirmou ser “um ambiente acolhedor, respeitoso e seguro para todos”. A empresa pontuou ainda que a roupa do aluno era apropriada para corridas ao ar livre, mas “inadequada” para determinados movimentos de musculação.

“Foi gentilmente sugerido o uso de uma bermuda de compressão por baixo, como forma de garantir maior conforto e segurança para todos os envolvidos”, disse a nota. Após a repercussão do caso, a academia limitou os comentários da publicação com o pronunciamento.

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