Os alunos envolvidos em torturas contra calouros por meio de um ‘juramento de trote’ em um alojamento da Etec foram denunciados pelo Ministério Público. Kauê Vinicius Martins Souza, de 18 anos, e dois adolescentes de 16 e 15 anos estão sendo acusados de praticarem agressões contra os novos alunos do curso de agropecuária da escola técnica em Iguape, no litoral de São Paulo.

De acordo com a investigação, os abusos ocorriam por meio de um juramento firmado entre veteranos e calouros no início do ano letivo. Os jovens envolvidos, liderados por Kauê, atuavam como espécie de liderança no alojamento, que tem capacidade para cerca de 28 alunos. As agressões incluíam atos de humilhação e violência física, sendo que ao menos cinco calouros teriam sido vítimas.

Detalhes da denúncia

O Ministério Público ofereceu representação contra os envolvidos, que foram apreendidos e estão atualmente na Fundação Casa de Peruíbe. O caso, inicialmente registrado como lesão corporal e vias de fato, culminou na descoberta dos crimes de tortura, constrangimento ilegal e lesão corporal, resultando na denúncia por parte do MP.

Os documentos contra os adolescentes foram aceitos pela Justiça, convertendo a prisão temporária de Kauê em prisão preventiva. Enquanto os menores infratores permanecem internados de forma provisória, o maior de idade está detido no Centro de Detenção Provisória de Registro. A Justiça agendou uma audiência para o dia 13 de abril, onde os adolescentes deverão ser ouvidos, juntamente com testemunhas do caso.

Segundo as investigações, os abusos eram frequentes, principalmente à noite durante a semana. Os calouros que sofriam com as agressões eram impedidos pelo juramento de expor os casos. A situação veio à tona quando a família de uma das vítimas identificou marcas de agressão e acionou as autoridades.

Desdobramentos e investigação

O caso foi denunciado à Polícia Civil em 11 de março, resultando na apreensão dos três envolvidos e na coleta de evidências como celulares, alicates e uma faca. Além disso, a polícia recebeu informações sobre a presença de drogas no alojamento, que não foram encontradas durante a diligência.

Vídeos das agressões foram encontrados nos celulares dos jovens, reforçando as denúncias das vítimas. Nas redes sociais, familiares dos alunos aguardam posicionamento por parte da instituição de ensino e reforçam a confiança depositada na escola.

A Etec, em nota, declarou repúdio aos acontecimentos e afirmou ter criado um comitê de crise para lidar com a situação. O afastamento imediato dos alunos envolvidos foi uma das primeiras medidas adotadas pela instituição, que preza pela apuração dos fatos e pelo restabelecimento da ordem no ambiente escolar.

Posicionamento e medidas adotadas

O Centro Paula Souza (CPS), responsável pela administração da unidade, encaminhou uma nota informando que está apurando os fatos para a aplicação das medidas legais cabíveis. Os alunos envolvidos seguirão com atividades remotas durante a conclusão dos trâmites legais.

O CPS reforçou o compromisso em repudiar qualquer ato de violência, tanto dentro quanto fora do ambiente escolar, e manifestou apoio aos estudantes e suas famílias. A instituição se coloca à disposição das autoridades para colaborar com as investigações em andamento.

Com a gravidade dos acontecimentos, a comunidade escolar aguarda por uma solução rápida e eficaz, garantindo a segurança e bem-estar de todos os alunos da Etec Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros.