Alunos são punidos com flexões em escola cívico-militar do DF: PM chama de brincadeira, Secretaria afasta policiais

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PM diz que flexão feita por alunos de escola cívico-militar no DF foi uma ‘brincadeira para descontrair’

Alunos teriam sido obrigados a fazer flexões e ficar de joelhos porque PMs acharam que a cor dos agasalhos que eles usavam não era adequada. Após denúncia, Secretaria de Educação disse que policiais envolvidos foram afastados.

O major Brooke, porta-voz da Polícia Militar do Distrito Federal, disse na manhã desta quinta-feira (26) que a flexão imposta a alunos do CED 1 do Itapoã, uma escola cívico-militar, “foi uma brincadeira para descontrair” (veja vídeo acima).

O comentário feito à TV Globo acontece após pais e o Sindicato dos Professores denunciarem que, na quarta (25), os estudantes foram obrigados a fazer flexões e ficar de joelhos.

A punição teria sido imposta porque policiais militares acharam que a cor dos agasalhos que eles usavam não era adequada. Após a denúncia, a Secretaria de Educação diz que os policiais envolvidos foram afastados.

Imagens registradas na manhã de quarta mostram o momento em que os alunos fazem as flexões.

Em maio de 2025, a escola CED 1 do Itapoã foi alvo de outra denúncia feita por alunos. Eles relataram casos de violência física e psicológica.

Em junho de 2024, a escola também foi alvo de denúncias quando um adolescente disse ter sido agredido por um policial depois de chegar atrasado para a aula.

SINDICATO DIZ QUE PUNIÇÃO FOI DESPROPORCIONAL

Segundo o diretor do Sindicato dos Professores, Samuel Fernandes, esse tipo de punição é constrangedora, desproporcional e não tem caráter pedagógico. Na avaliação dele, a disciplina escolar não pode ultrapassar os limites do respeito e da dignidade dos estudantes.

Ainda de acordo com o diretor, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante que os estudantes devem ser protegidos de qualquer tratamento vexatório ou constrangedor. Para ele, obrigar estudantes a realizar exercícios físicos ou ficar ajoelhados como punição fere esse princípio e pode configurar abuso de autoridade e violação de direitos.

Samuel Fernandes pede que o caso seja apurado com responsabilidade e que medidas sejam tomadas para que práticas desse tipo não voltem a acontecer, garantindo que a escola seja um ambiente de formação, respeito e proteção aos alunos.

O QUE DIZ A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

“A Secretaria de Educação do Distrito Federal informa que tomou conhecimento da situação ocorrida no CED 1 do Itapoã na manhã desta quarta-feira (25/2). A direção da unidade esclareceu que houve um equívoco na condução do episódio.

A Pasta já acionou a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar do Distrito Federal autorizou as substituições dos militares que ocorrerão de forma imediata.

A Secretaria ressalta que não compactua com qualquer prática que possa ser interpretada como constrangedora ou inadequada ao ambiente escolar. O caso será devidamente apurado para o completo esclarecimento dos fatos e eventual adoção das medidas administrativas cabíveis.

Em relação ao uso de uniforme, a Secretaria reforça que nenhum estudante será prejudicado em suas atividades escolares por eventual ausência ou inadequação de vestimenta, uma vez que o foco da rede pública é garantir o acesso, a permanência e a aprendizagem com respeito e acolhimento.

A SEEDF reforça o compromisso com os princípios previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Constituição Federal do Brasil de 1988, que asseguram a proteção integral e a dignidade de crianças e adolescentes, e segue acompanhando o caso para que o ambiente escolar permaneça seguro, pedagógico e respeitoso para toda a comunidade.”

O QUE DIZ A PM

“A Polícia Militar do Distrito Federal informa que tomou conhecimento da situação ocorrida no CED 1 do Itapoã nesta quarta-feira (25/2). A direção da unidade esclareceu que houve um equívoco na condução do episódio e a PMDF já orientou o afastamento e a substituição dos policiais que atuam na escola.

A corporação ressalta que não compactua com qualquer prática que possa ser interpretada como constrangedora ou inadequada ao ambiente escolar. O caso será devidamente apurado para o completo esclarecimento dos fatos e eventual adoção das medidas administrativas cabíveis.

Reforçamos o compromisso com os princípios previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Constituição Federal do Brasil de 1988, que asseguram a proteção integral e a dignidade de crianças e adolescentes, e segue acompanhando o caso para que o ambiente escolar permaneça seguro, pedagógico e respeitoso para toda a comunidade.”

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