Ambientes projetados impactam qualidade de vida e comportamento humano, aponta OMS

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Em meio a estímulos visuais e sonoros cada vez mais intensos, o ambiente em que as pessoas vivem, trabalham ou circulam pode influenciar diretamente a saúde, o bem-estar e o comportamento. Mais do que estética, o planejamento dos espaços envolve decisões que afetam a rotina e a forma como os indivíduos se relacionam com o lugar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o ambiente construído seja responsável por cerca de 19% dos fatores que influenciam a saúde e o bem-estar da população. Projetos inadequados podem, inclusive, provocar problemas físicos e emocionais, quadro conhecido como “Síndrome do Edifício Enfermo”.

Tendências apresentadas na Casacor 2025, uma das maiores mostras de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas, destacaram propostas voltadas ao escapismo, experiências imersivas, integração entre cidade e natureza, além de conceitos como luxo silencioso e lixo zero.

Segundo a arquiteta Polyana Franco, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Estácio Goiás, escolhas como iluminação natural, ventilação, paleta de cores e disposição dos móveis interferem diretamente no conforto e no comportamento das pessoas. De acordo com ela, esses elementos podem facilitar ou dificultar atividades cotidianas e influenciar hábitos e sensações.

Para Polyana, a arquitetura ganha papel ainda mais relevante em cidades densamente povoadas, ao buscar equilíbrio entre funcionalidade, segurança e qualidade de vida. Ela destaca que pequenas mudanças em projetos, como ampliar a entrada de luz natural ou reorganizar fluxos de circulação, podem alterar significativamente a experiência dos usuários e o funcionamento dos espaços urbanos.

Do ponto de vista psicológico, a relação entre ambiente e comportamento também é significativa. A psicóloga Francinne Strobel, coordenadora do curso de Psicologia da Estácio FAPAN, afirma que espaços bem planejados podem reduzir o estresse, melhorar o humor e favorecer a convivência social. Segundo ela, o cérebro responde continuamente aos estímulos do ambiente, mesmo de forma inconsciente.

Francinne explica que pessoas neurodivergentes tendem a ser ainda mais impactadas por fatores como excesso de estímulos visuais, sons inesperados ou circulação desorganizada. Por isso, projetos inclusivos costumam priorizar iluminação regulável, áreas silenciosas, rotas intuitivas e redução de estímulos sensoriais.

De acordo com a psicóloga, ambientes organizados e sensorialmente equilibrados podem favorecer sensações de calma, foco e autonomia. Em locais como escritórios, escolas e hospitais, essas escolhas arquitetônicas podem interferir no rendimento, na convivência e até em processos terapêuticos.

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