Medo nas ruas. Em Anchieta (ES) — Um menino de 10 anos sofreu ferimentos graves ao ser atacado por um cachorro enquanto caminhava com a mãe no bairro Castelhanos, no Sul do Espírito Santo, nesta última semana. O ataque foi flagrado por câmeras de segurança e reacendeu o debate sobre a responsabilidade de tutores de animais na cidade. A criança recebeu atendimento médico de urgência, ficando com marcas expressivas nos braços, mas já se encontra em casa após passar por cuidados médicos intensivos.
O caso gerou repercussão imediata entre moradores da região de Anchieta, principalmente após a divulgação do vídeo nas redes sociais. Segundo o relato da professora Sineia Mongin, mãe do menino, os segundos de terror vividos permanecerão na memória da família. “Tentei proteger meu filho da melhor forma possível. O cachorro pulou no pescoço dele. Entrei para tentar tirar o animal, mas desequilibrei e caí. Quando caí, pensei que era o fim”, desabafou Sineia, emocionada, ao Diário do Estado.
A Polícia Civil iniciou as investigações para apurar como o cachorro conseguiu sair da residência em que vivia e se houve, de fato, negligência por parte da tutora do animal. O delegado Luiz Paschoal, responsável pelo caso, afirmou que serão ouvidas tanto a família da vítima quanto a responsável pelo cão ainda nesta terça-feira. O ataque, que aconteceu em plena luz do dia, deixou moradores revoltados diante da suspeita de reincidência do animal em episódios de agressão no mesmo bairro.
Nos últimos meses, outros casos envolvendo ataques de cães têm sido registrados em cidades do Espírito Santo, segundo levantamento do DE. O caso mais recente, porém, ganhou destaque principalmente pela gravidade dos ferimentos e pelo envolvimento de uma criança, provocando mobilização por parte da população e das autoridades locais.
Por que o ataque em Anchieta (ES) chamou tanta atenção?
Diferente de situações pontuais que já foram vistas em outros municípios capixabas, o episódio deste fim de semana em Anchieta carrega um fator extra de indignação para a comunidade, pois o cachorro responsável pelo ataque já teria, segundo relatos de moradores, agredido outras pessoas e até mesmo animais de estimação da região. A zeladora Solange Vieira, conhecida na vizinhança, contou que também foi vítima do mesmo cão meses atrás: “Fui atacada no mesmo local. Sempre dizem que deixaram o portão aberto, mas não é a primeira vez”, lamentou Solange.
A sequência de imprudências na guarda do animal coloca em xeque o cuidado dos responsáveis, o que pode caracterizar, além de crime contra a integridade física, infrações previstas na Lei de Contravenções Penais. O artigo 31, esclarece o delegado Luiz Paschoal, prevê prisão simples de 10 dias a dois meses ou multa para quem se omite na cautela com animais potencialmente perigosos. A polícia, por sua vez, trata o caso com prioridade máxima após a repercussão local e a cobrança da população por medidas rigorosas.
Testemunhas do ataque destacam que episódios semelhantes tendem a se agravar especialmente em bairros com grande circulação de crianças, como Castelhanos. De acordo com a equipe médica que atendeu a vítima, a rápida intervenção da mãe, mesmo ferida, foi determinante para evitar um desfecho ainda mais trágico.
O que dizem as autoridades sobre os riscos em Anchieta (ES)?
O delegado responsável pelo caso, Luiz Paschoal, enfatizou em entrevista à reportagem que a investigação irá esclarecer se houve omissão dolosa ou eventual, além de apurar a dinâmica exata do ocorrido. “Além das responsabilidades cíveis, a Lei de Contravenções Penais prevê punição para quem se omite na cautela na guarda de animais”, explicou Paschoal. O caso já motivou a abertura de um boletim de ocorrência e, de acordo com o delegado, testemunhas e a tutora devem prestar depoimento nesta semana na sede da Polícia Civil de Anchieta.
A gravidade do ataque reacendeu também o debate acerca de campanhas regionais de conscientização sobre a posse responsável de animais, principalmente cães de médio e grande porte. Segundo informações do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, aumentou nos últimos três anos o número de processos judiciais envolvendo ataques de animais de estimação no interior do estado, reflexo do crescimento das áreas urbanas e da falta de infraestrutura adequada para guarda dos bichos.
A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que, em bairros periféricos de Anchieta, é recorrente a circulação de animais soltos em vias públicas, o que preocupa conselhos de segurança e líderes comunitários. O histórico regional, inclusive, mostra que o município já registrou pelo menos outros quatro casos de ataques similares no último ano, com vítimas de diferentes faixas etárias, fato que levanta a necessidade de ações preventivas mais eficazes. Conforme dados divulgados pelo Ministério Público Estadual, cerca de 18 cidades capixabas enfrentam problemas estruturais de fiscalização na posse responsável de cães e gatos.
Como a população e as famílias se sentem após o ataque em Anchieta?
Para a família da vítima, apesar da rápida recuperação física do garoto, o trauma psicológico permanece. Eles relatam medo de sair à rua e preocupação com a possibilidade de novos ataques na vizinhança. Sineia Mongin, a mãe, contou à reportagem que vem enfrentando dificuldades para tranquilizar o filho, que agora evita caminhar sozinho próximo de onde tudo aconteceu. “Mesmo em casa, ele está assustado. À noite, acorda chorando. Sabemos que o maior desafio será ajudá-lo a superar esse trauma emocional”, disse Sineia.
Moradores do bairro Castelhanos reforçaram a insatisfação quanto à falta de fiscalização do poder público sobre tutores reincidentes em casos de descuido. Em reuniões realizadas nos últimos meses, pautas referentes à segurança das crianças e circulação de animais foram debatidas, mas, segundo relatos entregues ao Diário do Estado, as medidas tomadas ainda são consideradas insuficientes diante da problemática local. O próprio bairro vive uma rotina de apreensão diante do noticiário regional, que semanalmente registra episódios semelhantes.
O poder legislativo local vem sendo cobrado para rever diretrizes e endurecer as regras relacionadas à posse e ao transporte de cães de grande porte. Representantes de associações de moradores entregaram um manifesto à prefeitura pedindo fiscalizações recorrentes, sobretudo próximo de escolas e praças, onde a concentração de crianças é maior. Segundo o setor de investigação da Polícia Civil, a apuração seguirá nos próximos dias, em busca de prevenir novas situações como a que atingiu Anchieta.
Quais consequências a tutora enfrenta após o ataque em Anchieta (ES)?
O desdobramento criminal para a tutora do cachorro pode ter consequências rigorosas, caso seja confirmada a omissão na guarda do animal que atacou o menino. Como explicou o delegado Luiz Paschoal, além de possíveis sanções cíveis, a tutora poderá ser penalizada com prisão simples ou multa, conforme previsto em legislação vigente. Segundo informou a mulher à polícia, ela estava dormindo quando o portão foi deixado aberto, permitindo que o cachorro deixasse a residência e atacasse a vítima. Após o episódio, ela buscou contato com a família do menino e se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O Diário do Estado recorda que, desde 2022, o Espírito Santo investe em campanhas de posse responsável, mas o tema segue desafiador em áreas limítrofes e urbanas. Órgãos de proteção animal destacam que omissões podem ser enquadradas até mesmo como crime de exposição de terceiros a risco, agravando o contexto penal de tutores negligentes. Especialistas em comportamento animal ouvidos pela redação ressaltam que falhas recorrentes na vedação de portões e ausência de muros altos são fatores que contribuem para a repetição desses acidentes.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia não apenas lacunas na legislação, mas um alerta sobre a necessidade de fiscalização mais rigorosa e campanhas de orientação permanentes, principalmente em bairros populosos do Espírito Santo. De acordo com o especialista em segurança pública consultado pela nossa redação, a reincidência do mesmo animal em episódios agressivos reforça a urgência de políticas públicas consistentes de proteção à infância no contexto urbano.
O Diário do Estado segue acompanhando de perto a investigação conduzida pela Polícia Civil e vai atualizar os leitores sobre eventuais novidades sobre o inquérito em andamento. A expectativa é que o caso ajude a mudar a postura de tutores em Anchieta e faça com que novas regras de segurança sejam adotadas de maneira imediata por toda a comunidade capixaba.
O repórter esteve no bairro Castelhanos, conversou com moradores e acompanhou a movimentação de familiares da vítima e da tutora, que prestaram depoimento nesta terça-feira na delegacia local. Novas informações serão divulgadas assim que houver desfecho policial e posicionamento das autoridades.




