Animais da fauna brasileira ameaçados de extinção: relatório do ICMBio

Um novo relatório divulgado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio) apresenta um panorama atualizado sobre a fauna no Brasil
e acende um alerta: 1.264 espécies estão ameaçadas de extinção no país. O número
representa 8,46% do total de 14.947 espécies avaliadas.

O documento reúne análises de dois ciclos nacionais (realizados entre 2009 e
2023), seguindo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza
(IUCN), referência mundial no setor. Entre os animais listados, dez já são
considerados extintos, regionalmente extintos ou extintos apenas na natureza.

A partir de agora, o ICMBio anunciou que o processo de avaliação passará a ser
contínuo. A mudança permite revisões mais rápidas sempre que surgirem novos
dados científicos ou mudanças ambientais drásticas.

LACUNAS NA PROTEÇÃO

Atualmente, o monitoramento é feito pelo sistema SALVE (Sistema de Avaliação do
Risco de Extinção da Biodiversidade). Embora o Brasil tenha avançado no
mapeamento, o relatório evidencia lacunas nas estratégias de proteção.

Das espécies ameaçadas identificadas, 74% fazem parte de Planos de Ação Nacional
(PANs) — ferramentas que orientam a conservação. No entanto, 331 espécies em
perigo ainda não estão incluídas em nenhum plano oficial de salvaguarda. Além
disso, 34% dos animais em risco vivem fora de Unidades de Conservação.

PRESSÃO HUMANA E BIOMAS EM RISCO

O relatório aponta que a biodiversidade brasileira sofre uma pressão crescente
causada por atividades humanas. Os principais fatores de ameaça listados são:

Expansão agrícola e pecuária;
Urbanização e poluição;
Mineração;
Mudanças climáticas;
Caça e captura de animais.

A Mata Atlântica lidera o ranking negativo com 661 espécies em risco, seguida
pelo Cerrado, com 339. O impacto é ainda mais preocupante quando se observa que
79% dos animais ameaçados são endêmicos, ou seja, só existem no Brasil e em
nenhum outro lugar do planeta.

Números do relatório

Confira abaixo um resumo dos números apresentados no relatório:

14.947 espécies analisadas;
11.823 espécies reavaliadas (79% das avaliadas), o que permitiu acompanhar a
evolução do risco ao longo do tempo;
1.264 espécies consideradas ameaçadas de extinção ou já extintas;
79% das espécies ameaçadas são endêmicas (existem apenas no Brasil);
426 espécies ameaçadas (34%) não estão dentro de unidades de conservação;
153 espécies não têm Plano de Ação Nacional de Conservação (PAN);
3.124 novas espécies foram incluídas no relatório, sendo 1.081
recém-descritas pela ciência;
Biomas com mais espécies em risco: Mata Atlântica (661) e Cerrado (339).

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