O apoio ao plano de Trump para “adquirir” a Groenlândia é de apenas 17% dos estadunidenses, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos. Os resultados do levantamento também mostram uma rejeição ampla ao uso de força militar e um temor de desgaste na OTAN após ameaças à Dinamarca. A ideia de anexar a ilha enfrenta resistência tanto entre democratas quanto entre republicanos, ampliando o desgastes político da proposta de Trump em nome da “segurança” e da disputa geopolítica no Atlântico Norte.
A pesquisa revela que apenas 4% dos entrevistados consideram uma “boa ideia” os EUA usarem força militar para tomar a Groenlândia da Dinamarca. A maioria, 71%, avaliou que seria uma “má ideia”, incluindo nove em cada dez democratas e seis em cada dez republicanos. Outro dado interessante é que apenas 10% concordaram que os EUA “deveriam usar força militar para obter novo território, como a Groenlândia e o Canal do Panamá”.
Os resultados da pesquisa também indicam uma preocupação com os efeitos diplomáticos das ameaças de Trump contra a Dinamarca, aliada na OTAN. Cerca de 66% dos entrevistados, incluindo 91% dos democratas e 40% dos republicanos, manifestaram preocupação com a possibilidade de os esforços dos EUA para adquirir a Groenlândia prejudicarem a aliança militar e as relações com parceiros europeus.
Autoridades da Casa Branca discutiram sobre colocar a Groenlândia sob controle norte-americano, considerando desde a possibilidade de uso de força militar até o pagamento de uma quantia única aos groenlandeses. Essas discussões ocorrem antes de uma reunião entre autoridades dos EUA, Dinamarca e Groenlândia. Trump alega que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA no contexto de disputas geopolíticas com Rússia e China.
Mesmo entre os republicanos, há ceticismo em relação à ofensiva de Trump, sobretudo quando envolve ameaças diretas a um aliado histórico. Parte dos parlamentares republicanos apoia iniciativas legislativas para ampliar o poder do presidente em anexar a Groenlândia. No contexto político atual, a disposição para intervenções militares e expansão territorial permanece baixa nos Estados Unidos.
Trump fez campanha com promessas de evitar guerras externas, buscando conquistar o apoio de eleitores cansados de conflitos passados. A nova pesquisa Reuters/Ipsos mostra que a sensibilidade do eleitorado em relação a intervenções militares permanece presente. O presidente também tem ameaçado agir contra o Irã, o que divide opiniões entre os norte-americanos e gera debates sobre sua condução em relação ao país do Oriente Médio.




