Arara-canindé: Finalmente ganha a atenção e destaque merecidos ao ‘escoltar’ ciclistas em Dois Córregos, SP

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Ameaçada de extinção e com cores do Brasil: conheça a arara-canindé, espécie que
acompanhou ciclistas no interior de São Paulo

Ao DE, especialista explica que aproximação da arara sugere criação fora do
ambiente natural. Vídeo do encontro em Dois Córregos (SP) viralizou e gerou
dúvidas sobre comportamento da espécie.

Arara ‘escolta’ ciclistas de Jaú durante treino em rodovia no interior de São Paulo

O encontro inusitado de uma arara-canindé com um grupo de ciclistas em Guarapuã, distrito de Dois Córregos, no interior de
São Paulo, é considerado raro por especialistas. Conhecida pelas cores vibrantes que remetem à bandeira do Brasil, a espécie está ameaçada de extinção.

Segundo o adestrador de animais Vinicius Bittencourt, a ave não costuma se
aproximar de pessoas, o que torna o encontro ainda mais incomum. De acordo com
ele, a principal explicação para esse comportamento é que a ave seja domesticada
ou treinada para praticar voo livre.

“O movimento, por si só, não costuma atrair essa espécie. Esse tipo de
aproximação indica que provavelmente é uma ave criada fora do ambiente natural
ou que tenha sido domesticada e treinada desde filhote”, conta.

O vídeo foi registrado por Willian Padilha, morador de Jaú (SP), e chegou a ser
confundido com Inteligência Artificial nas redes sociais. Até a noite de segunda-feira (12), a gravação já havia ultrapassado 16 milhões de visualizações.

Ao analisar as imagens a pedido do DE, Bittencourt confirmou que a ave é uma arara-canindé, cujo nome científico é Ara ararauna. Ele explicou que essa espécie não é comum na região de São Paulo, sendo mais frequente em áreas próximas ao Mato Grosso.

“Não é muito comum nessa região do estado de São Paulo. Na vida selvagem, a
ocorrência começa mais próxima do Mato Grosso”, revela.

Nas redes sociais, surgiu também a hipótese de que a ave pudesse estar “pedindo
ajuda”, voando baixo e tentando contato com humanos, mas Bittencourt descartou a
ideia.

“Não, esse comportamento está muito mais ligado ao ‘imprinting’, quando o
psitacídeo cria vínculo com humanos ainda filhote”, comenta. Por fim, ele comentou sobre a raridade do encontro e a possibilidade de
domesticidade da ave.

“O encontro é raro, apesar de o número de psitacídeos como pet ter crescido
muito no mundo todo. Hoje, com técnicas mais avançadas baseadas na etologia da
ave, é possível praticar o voo livre com o animal, sem precisar aparar as asas
como antigamente”, comenta.

CONHEÇA A ARARA-CANINDÉ

A arara-canindé, que traz nas penas as cores da bandeira do Brasil, também é
conhecida como arara-de-barriga-amarela ou simplesmente arara-amarela, e está
ameaçada de extinção.

Uma das razões para a vulnerabilidade da espécie é o fato de se deslocar a
grandes distâncias durante o dia, entre locais de descanso e alimentação, tornando-se presa fácil.

Quando as aves são caçadas para venda, as árvores que abrigam seus ninhos
costumam ser derrubadas, prejudicando a reprodução de diversas araras que
utilizam os mesmos ninhos e alterando o habitat natural dela. Essas aves fazem seus ninhos em buracos no tronco, onde colocam os ovos, e os
filhotes permanecem no ninho até a décima terceira semana, sendo alimentados pelos pais, que regurgitam o alimento em seus bicos.

O bico forte da arara-canindé também é usado para ingerir pedrinhas, que
auxiliam na trituração de sementes de palmeiras como buriti, tucum, bocaiúva,
carandá e acurí. Por triturar as sementes, as araras-canindé são consideradas “predadoras” de algumas palmeiras, já que impedem a dispersão dessas plantas.

Em geral, essas aves voam em pares ou em grupos de três indivíduos, mantendo a
mesma combinação mesmo em bandos de até 30 aves. Em cativeiro, podem viver até
60 anos, o que reforça a importância de proteger tanto os indivíduos quanto seu
habitat natural.

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