Ao longo dos últimos anos a cultura surda vem ganhando cada vez mais
protagonismo no Festival de Curitiba. A 3ª Mostra Surda de Teatro este ano
acontece de 3 a 5 de abril, com entrada gratuita, na Capela Santa Maria, região
central da cidade. A iniciativa vem se consolidando como um dos principais
espaços de circulação da produção artística em Língua Brasileira de Sinais
(Libras) no país.
Nesta 34ª edição do evento, a mostra reúne oito espetáculos, três deles em
estreia nacional, além de duas oficinas e um bate-papo sobre produção cultural.
Artistas de Curitiba, Salvador, Fortaleza, Brasília e São Paulo participam da
programação, que busca valorizar a autoria surda e ampliar o acesso à arte em
língua de sinais.
Segundo a organização, a mudança para a Capela Santa Maria representa não apenas
uma ampliação de público, mas também um gesto simbólico de ocupação de um espaço
historicamente voltado à música e ao público ouvinte, agora ressignificado pela
visualidade e pela expressão corporal do teatro surdo.
Curitiba como polo da arte surda
Para os curadores da mostra, o diretor e intérprete de Libras Jonatas Medeiros e
a artista surda e diretora Rafaela Hoebel, a continuidade do projeto dentro do
festival contribuiu para transformar Curitiba em um ponto de encontro da
comunidade surda brasileira.
Como vocês avaliam o impacto da Mostra ao longo desses três anos?
Jonatas Medeiros: A mostra criou uma janela de circulação para o teatro surdo no
Brasil, algo ainda raro. Em três anos, mais de 20 obras passaram pelo evento,
revelando a força criativa da comunidade surda e fortalecendo redes de artistas
e público.
Protagonismo e estética surda
Nesta edição, a seleção de espetáculos partiu do conceito de “ganho surdo”, que
propõe enxergar a surdez não como deficiência, mas como uma experiência cultural
e estética própria.
O que orientou a escolha dos espetáculos deste ano?
Rafaela Hoebel: Priorizamos obras com protagonismo de artistas surdos e
dramaturgias pensadas diretamente em Libras. O objetivo foi mostrar que o teatro
surdo não é adaptação do teatro ouvinte, mas um campo artístico autônomo, com
sua própria linguagem e ritmo.
A programação privilegia solos, performances e experimentações cênicas,
linguagens que, segundo os curadores, refletem tanto a potência expressiva do
corpo sinalizante quanto as condições reais de produção da comunidade surda no
país.
Inclusão é o tema central do espetáculo “Cangaceira Surda Mara”, de
Fortaleza, que integra a programação da 3ª Mostra Surda de Teatro. — Foto:
Divulgação.
Embora seja centrada na cultura surda, a mostra também pretende aproximar
…
Desafios
Apesar do crescimento, os curadores apontam a falta de políticas culturais
específicas e de financiamento como um dos principais obstáculos para a expansão
da cena surda no Brasil.
Quais são os próximos sonhos para a Mostra Surda?
Rafaela Hoebel: Queremos garantir sustentabilidade financeira, trazer
espetáculos internacionais e criar uma feira de economia criativa surda. A ideia
é transformar a mostra em um ecossistema cultural que gere oportunidades
contínuas para artistas e empreendedores surdos.
Serviço:
Mostra Surda de Teatro — 34º Festival de Curitiba
Data: de 3 a 5 de abril
Local: Capela Santa Maria – Rua Conselheiro Laurindo, 267, Centro
Ingressos: Gratuitos, distribuídos uma hora antes de cada apresentação
34.º Festival de Curitiba
Os ingressos vão de R$00 até R$85 (mais taxas administrativas).
e na bilheteria física exclusiva no
Shopping Mueller – Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e
feriados, das 14h às 20h).
Verifique a classificação indicativa e orientações do espetáculo.
Descontos especiais para colaboradores de empresas apoiadoras, clubes de
desconto e associações.




