O artista plástico falecido em decorrência da enxurrada provocada pela chuva pintou um quadro relacionado a alagamentos e mantinha um portão antienchente em sua residência na Vila Madalena. Rodolpho Tamanini Neto, de 73 anos, teve seu corpo encontrado na manhã de sábado após a água invadir o quintal de sua casa atingindo uma altura de 2 metros. O velório está marcado para esta segunda-feira em São Paulo.
Rodolpho Tamanini Neto retratou em 2008 o quadro ‘A Enchente’ para abordar as questões causadas pelas chuvas. O artista vivia em uma casa na Vila Madalena desde a infância e, de acordo com testemunhas, a água invadiu seu imóvel de forma violenta, levantando suspeitas de afogamento como causa da morte. A Polícia Civil investiga o caso no 14º Distrito Policial (DP) em Pinheiros.
O artista, que residia no andar superior do sobrado que possuía, viu a água da rua Belmiro Braga alagar e chegar à altura de 2 metros em seu quintal. A correnteza provocada pela enxurrada arrastou carros, um deles colidindo com o portão antienchente da residência de Rodolpho. A força da água rompeu o portão e tomou a casa, resultando na fatalidade do artista.
Amigo de longa data de Rodolpho, Jacques Ardies, curador da galeria onde o artista expunha suas obras, lamentou a tragédia. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, em entrevista, destacou o preparo da cidade para lidar com eventos climáticos, expressando pesar pela morte do artista. A Defesa Civil registrou outras duas mortes na Grande São Paulo em decorrência das chuvas.
O velório de Rodolpho ocorrerá no Cemitério São Pedro, em São Paulo, e seu corpo será cremado. Solteiro e sem filhos, o artista recebe homenagens por seu trabalho e trajetória. Além do quadro ‘A Enchente’, suas obras refletem paisagens urbanas e marítimas, interpretando a cidade de São Paulo de forma bela e atraente. Jacques Ardies descreve Rodolpho como um artista de talento único e marcante, cujo legado permanecerá vivo.