Mais de 250 artistas e criadores de Córdoba manifestaram sua oposição à recente decisão do Ayuntamiento de Córdoba de ceder as Caballerizas Reais para gestão do Museu Europeu de Arte Moderno de Barcelona. Essa escolha, que prevê um enfoque comercial para as futuras exposições, é criticada como uma falta de transparência e inclusão no processo de gestão cultural da cidade. Os artistas temem que a iniciativa, anunciada após a aprovação de um protocolo pela junta de governo municipal, limite a diversidade artística e exclua obras de artistas locais não alinhadas com uma perspectiva figurativa.

O histórico das Caballerizas Reais revela que esse espaço, localizado em um dos pontos mais icônicos de Córdoba, tem sido, ao longo dos anos, subutilizado na promoção de eventos culturais. Atualmente, a cidade conta apenas com duas salas expositivas, a sala Vimcorsa e a Casa Góngora, que não possuem as condições adequadas para exposições de grande porte. Esta falta de infraestrutura adequada reflete um déficit cultural que, segundo os artistas, deveria ser resolvido com uma gestão pública e inclusiva, e não por meio de parcerias privadas.

Juan Cuenca, fundador do Equipe 57, e Francesc Torres, reconhecido com o Prêmio Velázquez 2024, estão entre os signatários da carta que questiona esta iniciativa da administração local. Em um comunicado, eles expressam sua preocupação, afirmando: “Optar por comprometer a política cultural de Córdoba ao ceder espaços a entidades privadas, sem um processo público de seleção, é uma decisão sem precedentes que merece ser reavaliada”.

Quais são os detalhes do concurso cultural em Córdoba?

As críticas se concentram nos detalhes do acordo proposto pela gestão do Ayuntamiento. O protocolo inclui a gestão das salas de exposição das Caballerizas Reais por uma fundação privada, o que deve acarretar restrições significativas à apresentação de obras de artistas locais, especialmente aqueles que trabalham fora do formato figurativo. Essa abordagem levanta questões sobre o que realmente será exibido nas novas instalações e como isso afetará a visibilidade de artistas cordobeses reconhecidos.

A proposta atual carece de um modelo inclusivo que abra as portas para uma maior diversidade artística. Ao invés disso, os artistas argumentam que a gestão privatizada pode resultar em exposições cuja temática e estética são controladas por critérios comerciais, excluindo assim um amplo espectro de expressões artísticas que não se alinham a essa visão. Desta forma, o futuro cultural da cidade de Córdoba poderá ser comprometido por um modelo que prioriza o lucro em detrimento da cultura.

Este movimento em defesa de uma gestão pública reflete a crescente insatisfação com a maneira como as decisões culturais são tomadas. Além disso, a falta de um processo de licitação pública para a administração das Caballerizas Reais é vista como um golpe contra a transparência, um pilar essencial na administração pública.

Quais são as consequências para os artistas locais?

A divisão entre artistas figurativos e não figurativos pode gerar um impacto profundo no cenário cultural local. Artistas como Pepe Espaliú e Antonio Povedano, que já possuem reconhecimento internacional, poderão ver suas obras excluídas das exposições nas Caballerizas devido à nova direção imposta. Este fechamento em um espaço que poderia ser vital para a arte contemporânea em Córdoba pode condenar a cidade a uma carência cultural ainda maior.

Além disso, é importante ressaltar que a utilização de recursos públicos para a renovação das Caballerizas Reais apenas para um modelo privado é uma questão que levanta debates éticos em torno da gestão pública. Recentes concursos culturais realizados por órgãos semelhantes têm mostrado que há um movimento crescente para a valorização da arte local e do acesso a espaços culturais adequados.

Por isso, os artistas estão incentivando um debate aberto sobre o que significa realmente a gestão cultural e o papel que deve caber a cada artista, especialmente em uma cidade rica em história e potencial artístico como Córdoba.

Qual é a posição do Ayuntamiento sobre as críticas?

Até o momento, o Ayuntamiento de Córdoba não se pronunciou oficialmente sobre as críticas manifestadas por artistas e criadores locais. Contudo, a esperado adesão a uma proposta de gestão privada levantou muitas questões acerca da adequação e adequação à cidade. Os especialistas em administração pública reforçam que é crucial para qualquer administração ouvir a comunidade antes de tomar decisões que impactem diretamente a vida cultural da cidade.

O silêncio do Ayuntamiento pode ser interpretado como uma falta de vontade em legitimar um processo mais democrático, o que pode resultar em um descontentamento contínuo entre artistas e cidadãos. Referentes na área cultural já alertam que a falta de diálogo pode afetar negativamente a confiança da comunidade na gestão pública.

Existem quesitos operacionais e éticos que precisam ser considerados ao se discutir a futura administração das Caballerizas Reais. Os próximos passos agora vão depender das reações que essas críticas podem gerar e se haverá um espaço para reanálises e potencial revogação do protocolo acordado.