As guerras que escondem crimes dos fascistas – Uma análise de Moisés Mendes

as-guerras-que-escondem-crimes-dos-fascistas-uma-analise-de-moises-mendes

Frequentemente, as notícias sobre o caso Epstein são relegadas ao segundo plano pelos jornais americanos, em detrimento da cobertura da guerra no Irã. Trump possui menções com o pedófilo, mas sua atenção está na batalha contra o Irã. No New York Times, um texto abordando as relações de Epstein com médicos de elite foi relegado para as últimas páginas. O bilionário controlava a vida das mulheres, inclusive direcionando-as a médicos contratados por ele. Esta trama é deslocada pelo foco na guerra atual.

Os prontuários médicos, exames e tratamentos das mulheres envolvidas com Epstein ficavam sob seu domínio. Ele decidia quem merecia atendimento preferencial e quem não. As meninas acometidas por doenças eram encaminhadas para médicos fora do círculo de Epstein, a fim de manter distância do bilionário. Esta narrativa, porém, perde espaço devido à cobertura da guerra. As investigações sobre os crimes de Trump e Flávio Bolsonaro ficam à margem em meio ao cenário bélico, imposta também no Brasil.

A busca por fragilizar o inimigo político com a exposição de crimes perde forças frente à prioridade de sustentar uma narrativa enaltecedora de Flávio Bolsonaro. No embate contra Lula, ele é apresentado como um político quase imaculado, destinado a dar continuidade ao legado paterno. O contexto de guerra encobre os podres do filho, assim como nos jornais americanos as conexões de Trump com Epstein são silenciadas. A guerra propicia um cenário desfavorável para a exposição de fatos incômodos.

A batalha entre Flávio e Lula é conduzida sob uma lógica de impunidade, na qual a velha direita e o bolsonarismo fortalecem o candidato. Trump também se beneficia do cenário bélico, que obscurece suas relações controversas. A manipulação da narrativa em prol de um discurso tolerável sobre Flávio é uma estratégia para moldar a percepção pública. Os jornais, tanto nos EUA quanto no Brasil, cedem à pressão da guerra, relegando temas sensíveis a segundo plano.

Nos meses seguintes, o caso Epstein e os escândalos envolvendo Trump e Bolsonaro permanecerão em segundo plano, enquanto a guerra ditará o ritmo da cobertura midiática. A prioridade é sustentar a imagem aceitável de Flávio, destacando aspectos positivos e ocultando os podres do passado. A mídia, sob pressão das disputas políticas e conflitos armados, direciona o foco do público para os embates em detrimento da verdade dos fatos.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp