A equipe responsável pela pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estuda incluir no programa de governo novas mudanças nas regras da Previdência e da legislação trabalhista. A sinalização foi feita pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político do projeto eleitoral, em entrevista publicada nesta sexta-feira (6) pelo jornal Folha de S.Paulo.
Segundo Marinho, um eventual governo liderado por Flávio Bolsonaro teria como prioridade revisar pilares da estrutura econômica atual, incluindo o sistema previdenciário. “O modelo está estourando. Só posso dizer que vamos ter de revisitar a Previdência”, afirmou.
O senador não detalhou quais alterações poderiam ser implementadas nem indicou se a proposta envolveria mudanças em pontos sensíveis, como a política de valorização do salário mínimo. Ele afirmou, porém, que o debate pode incluir a adoção de um novo modelo de Previdência.
Além da Previdência, a equipe de Flávio Bolsonaro avalia promover uma atualização da reforma trabalhista aprovada em 2017. De acordo com Marinho, parte das mudanças implementadas na época acabou sendo limitada por decisões judiciais posteriores.
“A trabalhista tem de ser revisitada, porque a reforma de 2017 foi mitigada por várias decisões judiciais”, disse. Segundo ele, a legislação também precisa ser adaptada às transformações no mercado de trabalho, impulsionadas por avanços tecnológicos e pelo crescimento de novos formatos de contratação.
O coordenador da pré-campanha também afirmou que um eventual governo do PL pretende rediscutir as regras fiscais do país. Para Marinho, o modelo atual perdeu capacidade de disciplinar o gasto público.
“É evidente que temos de redefinir parâmetros fiscais, porque o que existe não é mais um arcabouço, é uma peneira”, declarou. Na avaliação do senador, o padrão de expansão das despesas públicas no país contribui para manter a taxa de juros em patamares elevados. “A forma como a política fiscal expansionista acontece no Brasil é uma das principais causas dessa taxa de juros de 15% ao ano”, afirmou.
As diretrizes econômicas da campanha devem ser apresentadas oficialmente em 30 de março. Marinho afirmou que o documento está em fase final de consolidação. O senador disse que tem mantido conversas com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, atualmente vice-chairman e chefe global de Políticas Públicas do Nubank. Apesar do diálogo, Campos Neto já declarou publicamente que não pretende retornar a Brasília em um eventual novo governo.




