Um levantamento revelou que 76% das mulheres em Goiânia já sofreram algum tipo de assédio. O dado integra a pesquisa “Viver nas Cidades: Mulheres”, divulgada na quinta-feira (05/03). O estudo apontou que a insegurança urbana afeta diretamente a liberdade de circulação feminina na capital. A realidade descrita pelas entrevistadas mostra que o problema se estende do ambiente doméstico às ruas da cidade.
Os espaços públicos apareceram como os locais mais hostis para as mulheres. Segundo o estudo, 56% relataram episódios de assédio em ruas e praças, enquanto 51% enfrentaram situações semelhantes no transporte coletivo. A exposição frequente a esses ambientes colocou as goianienses diante de um cenário de vulnerabilidade constante.
A pesquisa indicou que mulheres em Goiânia passam, em média, 1 hora e 40 minutos por dia no trânsito. Esse período prolongado nas ruas aumenta o contato com situações de risco. Muitas entrevistadas afirmaram que alteraram rotas, evitaram determinados horários ou deixaram de frequentar regiões específicas da capital por medo de assédio.
O índice registrado em Goiânia ultrapassou a média das dez capitais avaliadas no estudo, estimada em 71%. Além das ruas e do transporte público, as entrevistadas citaram episódios de violência no ambiente de trabalho (38%), em bares e casas noturnas (33%) e dentro do próprio ambiente familiar (28%).
O levantamento também expôs diferenças na percepção sobre a divisão das tarefas domésticas. Enquanto 47% dos homens acreditam em divisão igualitária, apenas 28% das mulheres compartilham dessa visão. Na prática, 38% das entrevistadas afirmaram que executaram a maior parte das atividades da casa, mesmo quando a responsabilidade deveria ser compartilhada.
Diante do cenário de violência, 55% dos entrevistados em Goiânia defenderam leis mais severas e aumento das penas contra agressores. O estudo apontou ainda a necessidade de maior agilidade nas investigações, melhorias na iluminação urbana e ampliação de delegacias especializadas e centros de acolhimento para vítimas.
O relatório concluiu que o endurecimento da legislação, isoladamente, não resolve o problema. Especialistas defenderam políticas públicas amplas, com investimento em infraestrutura urbana e fortalecimento das redes de apoio às vítimas. A estratégia busca reduzir a vulnerabilidade feminina e ampliar a segurança nos espaços públicos.




