Associação que apoia pacientes com câncer tem queda nas doações e luta para manter atendimentos em Uberlândia
Há mais de 20 anos em atividade, a Acraac oferece apoio nutricional, psicológico e jurídico a quase 200 pacientes com câncer por mês.
Vanda faz acompanhamento na Acraac desde 2024, e descreve a sensação que teve em janeiro de 2024, quando recebeu o resultado dos exames feitos para investigar a dor que sentia em uma das mamas. O diagnóstico confirmou o temor: câncer. Era o início de uma luta que ela ainda enfrenta.
Três meses depois da descoberta, Vanda começou o tratamento no Hospital do Câncer, em Uberlândia. Passou por cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Atualmente, a ex-inspetora pedagógica ainda comparece semanalmente à instituição para acompanhamento médico, que monitora a remissão da doença.
Esse amparo veio também de fora da família. Por indicação de uma amiga em tratamento, Vanda conheceu a Associação do Câncer de Uberlândia (Acraac). A entidade, localizada no Bairro Martins, oferece assistência e acompanhamento a pacientes oncológicos da cidade e da região.
A Acraac tem cerca de 400 pacientes cadastrados. Entre idas e vindas de tratamento, em média 190 são atendidos diretamente. Incluindo os familiares, que também recebem acompanhamento indireto, esse número chega a 2 mil pessoas, vindas de Uberlândia e de outras 10 cidades vizinhas.
Em quase 23 anos de funcionamento, a Associação mantém os serviços por meio de doações, em grande parte captadas pelo telemarketing. De acordo com o diretor Raimundo Medina, a queda de recursos tem dificultado a inclusão de novos pacientes.
Antes da doença, Vanda desconhecia esse tipo de trabalho. As instituições do terceiro setor atuam em paralelo aos hospitais, oferecendo apoio estrutural, financeiro e psicológico a quem recebe o diagnóstico de câncer.
Para receber apoio da associação, o paciente deve apresentar documentos à assistência social, que avalia o perfil socioeconômico da família. Conforme a necessidade, a entidade oferece doações de cestas básicas, fraldas, suplementos alimentares e medicamentos que não são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como analgésicos à base de morfina ou remédios para tratar comorbidades como diabetes e depressão. Também há acompanhamento jurídico para ações que buscam garantir medicamentos de alto custo.
Além disso, os pacientes recebem acompanhamento de nutricionista, psicólogo, reumatologista e cardiologista, tanto na sede da instituição quanto em visitas domiciliares a acamados. Equipes de nutrição e assistência social também visitam cidades vizinhas com apoio das secretarias municipais de saúde.
A Acraac ainda oferece práticas terapêuticas como Reiki e Yoga, além de atividades de canto, violão e crochê, que contribuem para a integração social e o bem-estar dos pacientes.
Para manter os serviços, a associação realiza bazares e eventos beneficentes. Também recebe apoio de empresas, como supermercados que promovem campanhas de arrecadação de alimentos ou de repasse de troco solidário. As contribuições individuais ficam, em geral, em torno de R$ 12. Somadas, as doações resultam em aproximadamente R$ 120 mil por mês.
A sede da Associação do Câncer fica na Rua Arthur Bernardes, nº 630, e se tornou um dos lugares mais frequentados por Vanda nos últimos anos. Mesmo em acompanhamento de remissão, ela garante que não pretende deixar de participar da Acraac. “É uma doença que abala o paciente e a família. Com esse acolhimento que a gente tem aqui, torna tudo um pouco mais leve essa jornada. Eu vou continuar como assistida ou voluntária, com certeza!”, finalizou.