SÃO PAULO (SP) — Um casal foi alvo de ofensas homofóbicas dentro de um vagão da Linha 4-Amarela, na manhã de sábado (6), véspera da Parada do Orgulho LGBT+ na capital paulista. A agressão verbal, gravada por uma das vítimas, mostra um passageiro gritando insultos depois que um dos homens sentou-se brevemente no joelho do marido para descansar. O caso expõe a vulnerabilidade de pessoas LGBTQIA+ mesmo em momentos cotidianos, como o uso do transporte público.
Agressor grita ofensas e nenhum passageiro intervém
Nas imagens, o homem aparece alterado, vociferando frases como “vocês têm que me respeitar” e “tudo tem limite na vida”. O ataque começou quando uma das vítimas acomodou-se na ponta do joelho do companheiro, em um banco da composição. Apesar da violência verbal, nenhum dos demais passageiros interveio para defender o casal. O vídeo mostra pessoas observando em silêncio — algumas até riam da cena. Em depoimento à imprensa, uma das vítimas revelou que evita rever as gravações: “Toda vez que vejo, começo a tremer”.
Vítima registra boletim de ocorrência e relata trauma psicológico
Henrique* e o marido voltavam de um festival de música eletrônica no Autódromo de Interlagos, na zona sul, quando ocorreu o ataque. Exaustos após caminhar mais de seis quilômetros até o metrô, fizeram baldeação na estação Pinheiros. Foi ali que, por volta das 5h, o agressor — ainda não identificado — começou a questionar o casal. “Ele perguntou se eu estava cansado. Expliquei que meu marido só estava sentado um pouquinho”, relatou a vítima. A situação escalou quando o homem se levantou e tentou insuflar outros passageiros contra eles. Com medo de agressão física, o casal decidiu não revidar e trocou de vagão na estação Oscar Freire. O agressor desceu apenas na estação Paulista. Nesta segunda-feira (8), Henrique registrou boletim de ocorrência na Delegacia Eletrônica. Ele afirma estar com pesadelos e tremores ao relembrar o episódio, que classifica como “injustificável”.
Concessionária repudia discriminação e orienta denúncias
A ViaMobilidade, concessionária que administra a Linha 4-Amarela, lamentou o ocorrido e afirmou repudiar veementemente qualquer forma de discriminação. Em nota enviada aos veículos de imprensa, a empresa informou que não foi acionada no momento da agressão, mas orienta passageiros a procurarem agentes de estação para receber apoio e adoção de providências. A concessionária destacou que promove capacitação contínua de equipes e ações de conscientização contra preconceito. O episódio acende o alerta para a necessidade de medidas mais efetivas de segurança no transporte sobre trilhos, tema que ganha relevância também em outras capitais, como o DISTRITO FEDERAL, onde debates sobre acolhimento a vítimas de LGBTfobia têm avançado. *Nome da vítima alterado para preservar identidade.



