Ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã danificaram pelo menos quatro locais culturais e históricos, incluindo palácios e uma antiga mesquita. O caso gerou preocupação sobre o impacto da guerra em expansão em patrimônios protegidos importantes para a identidade iraniana e para a história mundial.
Diante da rapidez e da extensão dos danos, Irã e Líbano pediram nesta semana à agência cultural da ONU, a UNESCO, que inclua mais locais em sua lista de proteção reforçada.
A UNESCO confirmou danos ao Golestan Palace, um palácio luxuoso da era Qajar localizado em Teerã. Também houve estragos no Chehel Sotoun, do século XVII, e na Masjed-e Jāme, considerada a mesquita de oração de sexta-feira mais antiga do país — ambos na cidade de Isfahan.
PATRIMÔNIO HISTÓRICO AMEAÇADO
Defensores de direitos humanos alertam que a guerra no Irã não apenas deixou mais de mil mortos, mas também abalou instituições e lugares históricos importantes para as comunidades.
Segundo Bonnie Docherty, pesquisadora da divisão de armas da Human Rights Watch, a destruição desses locais afeta diretamente a população.
“Isso causa danos aos civis porque destrói ou danifica uma parte da história deles, que pode ser significativa tanto para o mundo quanto para uma comunidade específica”, afirmou. “Também enfraquece a identidade compartilhada de uma comunidade local.”
DANOS TAMBÉM TÊM IMPACTO PESSOAL
Para Shabnam Emdadi, uma iraniana-americana de 35 anos que vive em Nova York, os danos ao Palácio Chehel Sotoun têm um significado pessoal.
Ela visitou o local com o pai poucos anos antes da morte dele.
“As viagens ao Irã com ele são minhas lembranças mais queridas, quando ele parecia mais feliz e em casa”, disse. “Por isso, quando vejo os danos a esses lugares que fazem parte das minhas memórias, sinto como se também estivesse perdendo um pedaço dele.”




