Funcionário de associação indígena é alvo de atentado a tiros dentro da Terra Apyterewa, no Pará
Vítima, motorista da Associação Indígena Tato’a, foi atacado a tiros enquanto
retornava de uma comunidade na Terra Indígena Apyterewa. Órgãos federais foram
comunicados do atentado.
Um funcionário da Associação Indígena Tato’a, do povo Parakanã, foi alvo de um
atentado a tiros na tarde desta quarta-feira (21), dentro da Terra Indígena
Apyterewa, no sudeste do Pará. A vítima ficou ferida, mas sobreviveu.
O ataque ocorreu quando o homem, motorista da associação, retornava de uma base
de apoio após deixar famílias indígenas de uma comunidade no centro da aldeia. De acordo com relatos de indígenas locais, o carro foi atingido por cerca de 15 disparos e ficou completamente danificado.
O funcionário abandonou o veículo no local e conseguiu escapar fugindo pela
mata, em direção a uma aldeia, onde buscou ajuda. Fontes locais indicam que o atentado pode ter sido premeditado, pois indígenas Parakanã já haviam sido ameaçados de um possível ataque armado alguns dias antes.
Após o atentado ao funcionário da Associação Indígena Tato’a, do povo Parakanã, órgãos responsáveis pela proteção do território foram comunicados. O DE solicitou posicionamento ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama), à Fundação Nacional dos Povos Indígenas
(Funai) e à Força Nacional de Segurança, mas não obteve retorno até a publicação
desta reportagem.
A Terra Indígena Apyterewa foi alvo de operação de desintrusão do governo
federal, mas segue sob ataques de invasores. Em dezembro de 2025, um vaqueiro contratado pelo Ibama foi morto após ser atingido por um tiro
durante ação no local.
A TI Apyterewa é uma das áreas mais conflituosas da Amazônia e abriga o povo
Parakanã. O território é alvo de invasões há anos e, desde setembro de 2025, é
palco de uma das maiores operações integradas de desintrusão já realizadas no
país. O DE tem um histórico de maior desmatamento por 4 anos seguidos no Brasil, perdendo área de floresta maior do que Fortaleza, segundo estudo do Instituto do
Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).




