SÃO PAULO (SP) — Passageiros da Linha 3-Vermelha do Metrô enfrentam um verdadeiro inferno sobre trilhos: nos primeiros seis meses de 2026, foram 28 falhas, quase uma por semana, deixando plataformas lotadas e usuários à beira de um colapso. A situação reflete um aumento de 27% nas ocorrências em toda a malha ferroviária do estado em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados obtidos pela imprensa.

Em toda a região metropolitana de SÃO PAULO, o caos nos transportes virou rotina: foram 205 falhas registradas entre janeiro e junho, contra 161 no ano anterior — uma média de mais de uma pane por dia. As linhas privatizadas, como a 7-Rubi e a 4-Amarela, lideram o crescimento, com altas de 600% e 220%, respectivamente.

A Linha 3-Vermelha, operada pelo Metrô, até reduziu falhas em 31% comparado a 2025, mas ainda é a campeã de problemas, seguida pela Linha 7-Rubi (da concessionária Tic Trens) e pela Linha 8-Diamante (Viamobilidade). Para os usuários, a promessa de melhorias parece distante: estações superlotadas, atrasos e transtornos são o preço de um sistema que acumula décadas de sucateamento.

Linha 3-Vermelha lidera ranking de panes no Metrô

Apesar de ter diminuído as falhas em relação ao ano passado, a Linha 3-Vermelha ainda é a que mais incomoda os paulistanos. Foram 28 ocorrências no primeiro semestre, número que representa 13,6% de todos os problemas do sistema. O governo afirma que investe R$ 700 milhões em modernização, mas a rotina de quem depende do metrô segue marcada por imprevistos.

Nas linhas privatizadas, o cenário é ainda mais explosivo. A Linha 7-Rubi, que era da CPTM e passou para a Tic Trens em novembro de 2025, saltou de 3 para 21 falhas — um crescimento de 600%. Já a Linha 4-Amarela, da Via Quatro, subiu de 5 para 16 panes, alta de 220%. Os passageiros reclamam de falta de manutenção e de longas esperas nas plataformas.

Governo admite problemas estruturais e promete investimentos

Em coletiva, o governador Tarcísio de Freitas disse estar “muito preocupado” com os números, mas admitiu que as falhas são fruto de décadas de falta de investimento. “Tínhamos defeitos na via permanente, ausência de subestações e até falta de aterramento. Identificamos os problemas e estamos corrigindo”, declarou. Ele prometeu reduzir o intervalo entre trens de sete para dois minutos e meio nos próximos três anos.

A Artesp, agência reguladora, informou que fiscaliza as concessionárias e pode aplicar multas de até R$ 4 milhões. Já as empresas — Metrô, CPTM, Tic Trens, ViaMobilidade — garantiram que implementam programas de manutenção preventiva e uso de inteligência artificial para prever falhas. Mas, enquanto isso, o passageiro comum segue refém de um sistema que não para de quebrar.

Para quem depende do trem todos os dias, a esperança é que as promessas saiam do papel antes que o caos vire rotina definitiva. Até lá, resta enfrentar plataformas lotadas, atrasos e a certeza de que, em São Paulo, andar de transporte público é uma verdadeira prova de resistência.