Aumento de ataques a nordestinos em anos eleitoriais: estudo revela crescimento de 821% nos discursos de ódio em 2022

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Pesquisa aponta aumento significativo de ataques a nordestinos em anos eleitoriais, com um crescimento de 821% nos discursos de ódio durante as eleições de 2022. Segundo dados analisados pela SaferNet, ofensas xenofóbicas como “pobre”, “burro”, “analfabeto” e “ingrato” tiveram um aumento expressivo em relação aos anos anteriores. O estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) revela um cenário preocupante de ataques nas redes sociais.

Com a proximidade das eleições, a expectativa é de que os ataques contra nordestinos continuem em ascensão, apesar das mudanças no entendimento do STF sobre o Marco Civil da Internet, que deve promover alterações na dinâmica online. A nova interpretação do artigo 19 do Marco Civil da Internet exige das plataformas digitais uma atuação mais proativa na remoção de conteúdos ilegais, como discurso de ódio, racismo e pedofilia. Essa medida visa coibir a propagação de mensagens prejudiciais na internet.

Eanes Pereira, pesquisador da UFCG e um dos autores do estudo, alerta para o uso de inteligência artificial na disseminação do discurso de ódio, destacando o desafio que isso representa para os processos eleitorais. A polarização política tem impulsionado os ataques a nordestinos nas redes sociais, conforme aponta a pesquisa realizada pelo grupo Interfaces da UFSCar, que analisou milhões de publicações durante o período eleitoral.

As punições judiciais aplicadas em casos de ataques racistas e xenofóbicos cumprem um papel educativo, conforme destacado por especialistas. Contudo, a diretora da Safernet Brasil, Juliana Cunha, ressalta a importância de não depender apenas do código penal para combater a intolerância. É fundamental promover a responsabilização das plataformas digitais, que devem adotar medidas para coibir conteúdos criminosos, como a xenofobia, sob pena de punições legais.

O mapeamento dos termos associados ao nordestino nas redes sociais revela um aumento progressivo de associações negativas durante o período eleitoral. O discurso de ódio ganha força à medida que a eleição se aproxima, com termos pejorativos como “pobre”, “burro”, “analfabeto” e “ingrato” se tornando mais frequentes. A análise aponta a necessidade de uma maior responsabilidade por parte das plataformas na moderação de conteúdos prejudiciais.

Além das punições individuais, os pesquisadores defendem a importância de responsabilizar as plataformas digitais pela disseminação de discursos de ódio. A nova regulamentação do Marco Civil da Internet exige uma atuação mais rigorosa das empresas na remoção de conteúdos ilegais, o que pode impactar significativamente a dinâmica online. É essencial acompanhar de perto como as plataformas vão se adaptar às novas regras e promover a moderação humanizada para combater efetivamente o discurso de ódio nas redes.

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