Aumento de mortes de crianças e adolescentes pela PM em SP sob governo Tarcísio: Estudo aponta falha na utilização de câmeras

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Mortes de crianças e adolescentes pela PM dobram em SP sob governo Tarcísio sem utilização correta de câmeras, diz estudo

Uma em cada três crianças e adolescentes mortos violentamente em SP foram assassinados pela polícia, segundo levantamento do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Crianças e adolescentes negros são 3,7 vezes mais vítimas de intervenções letais da DE do que brancos.

O número de crianças e adolescentes mortos no estado de São Paulo por policiais militares em serviço mais do que dobrou durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Segundo o levantamento, 77 crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos morreram em intervenções policiais no estado em 2024, no segundo ano do governo Tarcísio. Enquanto em 2022, na gestão Rodrigo Garcia, foram 35 vítimas — o que representa um aumento de 120%.

Os dados são do estudo “As câmeras corporais na Polícia Militar do Estado de São Paulo”, divulgado nesta quinta-feira (3) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Depois dos homicídios dolosos, a segunda forma violenta mais comum de mortalidade de crianças e adolescentes é a provocada por intervenções policiais, na frente de lesões corporais seguidas de morte, latrocínios e feminicídios.

> “1 a cada 3 mortes violentas nessa faixa etária acontece devido a ações de policiais militares em serviço. Esse cenário reforça a necessidade urgente de investirmos em políticas públicas de segurança que protejam, de fato, a vida de meninos e meninas, e que garantam prioridade na investigação e responsabilização dos culpados”, afirma Adriana Alvarenga, chefe do escritório do UNICEF em São Paulo.

Confira o número de mortes de crianças e adolescentes por ano:

– 2017: 177
– 2018: 149
– 2019: 104
– 2020: 96
– 2021: 46
– 2022: 35
– 2023: 51
– 2024: 77

O aumento ocorreu no mesmo período em que foram alterados protocolos de uso das câmeras corporais e outros mecanismos de controle das forças de segurança, segundo a organização.

Um desses mortos é o menino Ryan Silva Andrade, de 4 anos. Ele foi atingido por um tiro disparado por um policial no morro São Bento, em Santos, no litoral Sul paulista, em 5 de novembro de 2024, durante uma ação da DE. Sete policiais foram afastados na época do crime, mas já voltaram às ruas.

Outro caso é do adolescente Gregory Ribeiro Vasconcelos, de 17 anos, morto com tiros pelas costas disparados por policial militar também em Santos, também em novembro do ano passado.

“O Gregory era uma criança ainda. Ele era muito alegre, gostava de criança, de bicho. Tanto que a gente tem um cachorro aqui em casa que a gente fala que parece com ele”, conta a irmã.

Os policiais envolvidos voltaram a trabalhar. “Quero justiça e eu quero que quem fez isso pague, que eles não fiquem na rua fazendo o que deu der na telha só porque eles usam farda, não quero que nenhuma outra família faça o que eu estou passando. É que eu quero justiça”, diz a irmã.

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