Aumento histórico de mortes por policiais em SC em 2025: 25% sem antecedentes criminais

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SC fecha 2025 maior N° de mortes por policiais em 17 anos; 25% não tinham registros criminais

No ano passado, 100 pessoas morreram por intervenção direta de agentes de segurança pública.

Em 2025, 100 pessoas morreram em ações policiais em Santa Catarina, o maior número da série histórica, que começou em 2008, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública.

A alta da letalidade policial contrasta com diferentes visões, que vão desde maior efetividade no combate ao crime até possíveis excessos de força pelos agentes, principalmente diante de comunidades e pessoas vulneráveis. Os dados mostram que dos 100 mortos, 1 de cada 4 – ou 25% -, não tinham antecedentes criminais.

O pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), Leonardo Ostronoff, acredita que a formação policial deve ser revisada para reduzir esse índice.

“É preciso outra formação das polícias, em que o policial entenda que ele não está em uma guerra, mas que ele está ali para garantir o direito à segurança da população, uma visão cidadã e uma visão voltada para os direitos humanos”, defende.

A Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, por sua vez, diz que o crescimento pode estar ligado ao número de operações feitas no ano passado.

“Temos dois fatores que são preponderantes. Um é a opção do confronto que vem do próprio criminoso e outro é a questão do número de operações exorbitantes que nós fizemos, mais de 485 mil ao longo do ano, além da própria Polícia Militar aumentando em 82% as suas ações”, afirmou o secretário da pasta, Flávio Graff.

Ernesto Schimidt Neto, conhecido como Betinho e “Anão da Solidão”, foi uma das pessoas mortas. Ele havia se envolvido em uma discussão entre vizinhos na Praia da Solidão, em Florianópolis, em janeiro de 2025.

De acordo com relatório da Polícia Militar, na época, ele estava com uma faca e teria atacado os policiais. A família dele discorda.

Vídeo mostra momento em que PMs atiram contra Betinho, o ‘Anão da Solidão’

Em abril, um adolescente de 13 anos foi morto durante uma ação policial em Balneário Rincão, no Sul do estado. A PM relatou que agentes faziam patrulhamento quando viram dois homens em atitude suspeita.

A dupla fugiu ao ver a viatura, iniciando uma perseguição. Ao serem alcançados, um deles teria apontado uma arma e o policial atirou três vezes, matando Dickson Inacio da Silva.

Antes de 2025, segundo os dados divulgados, o número de vítimas tinha passado de 90 apenas em 2014 e 2018.

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que, em 2025, a vítima mais jovem tinha 13 anos e, a mais velha, 61. Menores de 18 anos eram 9%.

A Grande Florianópolis registra o maior número de casos: 37 na capital e 7 em Palhoça e São José.

“Em todos os casos com mortes se evidencia a mesma prática, de que há uma reação à ação da polícia e, por vontade do próprio criminoso, ele acaba oferecendo esse risco”, pontua o secretário de Segurança Pública.

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