O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem se destacado por melhorias nos indicadores sociais e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Enquanto isso, o legado da gestão de Jair Bolsonaro (PL) se caracteriza por um equilíbrio fiscal em meio a uma agenda liberal. A diferença entre as administrações é um ponto chave na análise das condições econômicas do Brasil.
Segundo Haroldo da Silva, presidente do Corecon-SP, a principal diferença entre os governos está no papel do Estado. A administração de Bolsonaro, sob a liderança de Paulo Guedes, priorizou reformas, como a da Previdência e a autonomia do Banco Central. Em contraste, Lula adotou uma abordagem que visou um incremento nas despesas públicas, gerando debates sobre sustentabilidade fiscal.
O cenário do endividamento também se apresenta de forma contrastante. Com a gestão de Bolsonaro, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou 87,7% do PIB em 2020, mas encerrou seu mandato com uma redução para 72,9%. Entretanto, Lula viu a DBGG aumentar para 82,85% do PIB em agosto de 2024, trazendo à tona importantes desafios fiscais para o futuro, com previsões de um ajuste fiscal urgente para o próximo governo.
Em termos de crescimento econômico, a comparação é reveladora. Em 2019, no início do governo Bolsonaro, o Brasil ocupava a nona posição entre as maiores economias do mundo, mas caiu para o 12º lugar até 2022. Lula, por sua vez, conseguiu reconquistar o top 10 em 2023, impulsionado por uma previsão de crescimento de 2,4% para o ano. A expansão do PIB sob Lula, que manteve uma média de 2,69%, contrasta com a média de apenas 1,43% ao ano durante o governo anterior.
Os preços e a inflação também têm uma trajetória distinta sob os dois presidentes. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) sob Lula teve um aumento de 18,2% até agosto de 2024, o que está abaixo dos 25,26% registrados durante o mesmo período da gestão de Bolsonaro. Isto é, as diferenças nos preços de alimentos e commodities demonstram um cenário menos hostil à inflação sob Lula, apesar dos desafios trazidos por eventos climáticos e a guerra na Ucrânia.
As políticas de auxílio emergencial durante a pandemia e a reabertura da economia favoreceram a demanda e, consequentemente, o consumo. Essa dinâmica teve, por sua vez, efeitos colaterais, como o aumento dos preços, especialmente nos combustíveis, que subiram quase 50% em 2021. Para mitigar os efeitos inflacionários, o governo Lula adotou medidas regulatórias, incluindo cortes de tributos em 2022.
No que diz respeito ao mercado de trabalho, ambos os governos registraram quedas nas taxas de desemprego, que passaram de 14,9% durante a pandemia para 8,4% sob Bolsonaro e, mais recentemente, para um histórico mínimo de 5,1% no governo Lula. Essa evolução positiva sugere que as ações de incentivo ao mercado de trabalho estão surtindo efeito, mas o desafio da inflação e dos gastos públicos ainda se coloca como um fator limitante.
A combinação de crescimento do PIB e redução da pobreza são marcos da gestão de Lula, que conseguiu retirar o Brasil do Mapa da Fome da FAO e retirar 8,6 milhões de pessoas da pobreza. Enquanto a gestão anterior lidou com altos índices de inadimplência, o atual governo ainda enfrenta o desafio do endividamento das famílias, que continua a ser uma preocupação nas contas públicas.



