Avô de criança torturada e morta diz à polícia que companheira mentia sobre hematomas na neta
José dos Santos, de 42 anos, e a mulher, Karen Tamires Marques, de 33, estão presos preventivamente. Sophia Emanuelly de Souza, de 3 anos, já estava morta quando deu entrada na UPA em Ribeirão Preto (SP).
José dos Santos foi preso por suspeita de envolvimento na morte da neta, de 3 anos, em Ribeirão Preto, SP — Foto: Divulgação/Polícia Civil
José dos Santos foi preso por suspeita de envolvimento na morte da neta, de 3 anos, em Ribeirão Preto, SP — Foto: Divulgação/Polícia Civil
O avô de Sophia Emanuelly de Souza, que chegou morta a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ribeirão Preto (SP), disse em depoimento à Polícia Civil que chegou a perceber hematomas na menina e questionou a companheira Karen Tamires Marques, de 33 anos, sobre as agressões.
A informação é do advogado de defesa dele, Luís Felipe Rizzi Perrone. José dos Santos, de 42, está preso preventivamente por suspeita de envolvimento na morte da neta, de 3.
À EPTV, afiliada da TV Globo, Perrone disse que, ao questionar a companheira, José ouvia dela que a criança tinha se machucado brincando. Ele também informou que vai comprovar a versão do cliente durante as investigações.
“Ele passou a perceber essas agressões, inclusive, relata no interrogatório formal dele ontem [quarta-feira] na delegacia. Quando questionou formalmente a Karen, a Karen mencionava que a criança caiu, a criança se machucou brincando, só que essa versão não convenceu ele, então ele passou a repreender Karen. Só que a situação se escalonou muito rápido e aconteceu esse resultado trágico”, diz o advogado.
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Sophia foi levada pelo avô à UPA da Avenida Treze de Maio na noite de terça-feira (17), mas, segundo o pediatra de plantão, a menina já estava morta quando deu entrada na unidade.
A polícia foi acionada e uma médica legista que também esteve no local informou que a morte tinha ocorrido há, pelo menos, 12 horas.
O corpo da criança tinha hematomas em diferentes colorações, além de sinais de desnutrição e perda capilar, o que indica que as agressões eram frequentes.
Segundo a defesa, o avô estava fora de casa na maior parte do dia e era Karen a responsável pelos cuidados com a criança. José tinha a guarda da neta há dois anos.
Em depoimento à polícia, Karen chegou a dizer que não gostava de Sophia e agredia a menina porque ela não queria comer.
“Ele relata que buscou ajuda de terceiras pessoas, que orientaram ele a buscar troca da alimentação dessa criança. Entretanto, nós iremos comprovar isso documentalmente também, ele trabalhava o dia todo até tarde da noite em uma farmácia. Então, quem era responsável por alimentar a criança era a Karen e, quando questionava a Karen, ela falava ‘comeu, mas comeu pouco’. Friso que trata-se de uma situação gravíssima e nós também concordamos que a responsável pelo crime deve ser punida. Inclusive Karen, no interrogatório dela, ela afirma que ele nunca agrediu essa criança”, diz Perrone.
Karen Tamires Marques foi presa por suspeita de envolvimento na morte da neta do marido, em Ribeirão Preto, SP — Foto: Divulgação/Polícia Civil
A Polícia Civil avalia se José e Karen responderão por tortura e homicídio ou por tortura que teve como resultado a morte, conduta prevista na Lei dos Crimes Hediondos.
CRIANÇA CHEGOU MORTA À UPA
Sophia foi levada pelo avô para a UPA da Avenida Treze de Maio na noite de terça-feira (17). A criança foi atendida pelo pediatra que estava de plantão, que disse que ela já chegou morta e acionou a polícia.
Aos médicos, José chegou a dizer que a neta estava passando mal e vomitou durante o trajeto até a UPA, versão contestada pelo delegado seccional Sebastião Vicente Picinato.
“Ele faltou com a verdade em dizer que a criança havia vomitado, ou seja, quis criar uma situação para espiar a culpa, mas, na verdade, reforça mais a ideia de que ele é coautor”.
José e Karen foram presos em flagrante na quarta-feira (18). No mesmo dia, eles passaram por audiência de custódia, onde a prisão preventiva foi decretada.
Karen confessou que não gostava da menina e que a esganou porque ela não queria comer, o que reforça a suspeita de que ela tenha causado a morte. Já o avô é suspeito de ser coautor do crime, por permitir que essa situação ocorresse.
A Polícia Civil avalia se eles responderão por tortura e homicídio ou por tortura que teve como resultado a morte, conduta prevista na Lei dos Crimes Hediondos.
“Uma violência contra uma criança, independentemente do resultado de morte, é uma agressão que viola todos os direitos humanos, é uma agressão à sociedade. É uma coisa que entristece muito, revela um lado muito ruim do ser humano”, diz o delegado.
José dos Santos e Karen Tamires Marques são suspeitos de envolvimento na morte da neta dele, de 3 anos, em Ribeirão Preto, SP — Foto: Redes sociais
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