Vovó enfrenta medo do preconceito, faz primeira tatuagem aos 60 anos e soma 53
desenhos pelo corpo: ‘Enquanto estiver viva, quero continuar fazendo’
Edelvira Laudelina Rosa Gralak, de 66 anos, tinha vontade de se tatuar desde a
juventude. Moradora do Paraná, a avó de três netas conta que chama a atenção por
onde passa.
Com primeira tatuagem aos 60 anos, avó soma 53 desenhos pelo corpo
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Edelvira Laudelina Rosa Gralak tem 66 anos e 53 tatuagens espalhadas pelo corpo.
A primeira foi feita quando ela completou 60 anos – e as próximas já estão
planejadas.
> “Pelo menos enquanto eu estiver viva eu quero continuar fazendo. […] A gente
> não sabe o dia de amanhã, então tem que fazer o que gosta pelo menos, né?!”,
> afirma.
Moradora de São Mateus do Sul, no sul do
Paraná, Dona Rosa, como é conhecida, é a segunda filha mais nova entre 15
irmãos. Casada, é mãe de dois filhos e avó de três netas, uma de 9 anos de idade
e duas de 13.
Inicialmente, a família, que possui poucas pessoas tatuadas, estranhou a decisão
da matriarca. Agora, entendem e respeitam o fato da idosa gostar de ter desenhos
na pele, conta ela.
> “No começo eles ficaram até bravos… ‘A mãe, com 60 anos, inventando
> tatuagem’… Eu falei assim pra eles: ‘Poxa, a gente tem que fazer o que
> gosta. Eu sempre dediquei a vida a vocês, agora é a minha vez de conseguir
> alguma coisa pra mim.’ Agora, eles acostumaram. […] Até minhas netas já
> acostumaram com a avó ‘maluca’ delas!”, conta.
Apesar de o primeiro desenho só ter ido para a pele na terceira idade, a paixão
por tatuagens acompanha Rosa desde a juventude. A dona de casa conta que, na
época, ver pessoas tatuadas era algo raro e alvo de preconceito – inclusive da
família dela.
Por isso, o sonho foi sendo deixado de lado, até ela receber um valor em
dinheiro de um processo antigo e decidir realizar o desejo que teve por toda a
vida.
> “Eu pedia pro meu pai, mas ele era muito radical e nunca deixou. Quando eu
> casei, eu via uma pessoa tatuada e pedia pro meu marido, e meu marido não
> deixava. Em 2018 saiu um dinheiro de quando eu era solteira, PIS/Pasep, não
> sei o que, e eu falei para o meu marido: ‘Agora esse dinheiro é meu, eu era
> solteira, tu não me conhecia. Agora eu que vou comandar o negócio! Quando eu
> recebi, fui e marquei cinco tatuagens”, conta.
Rosa afirma que, depois desse dia, “viciou”. Atualmente, ela possui tatuagens
nas pernas, nos braços, nas costas, no peito e no pescoço.
Algumas são desenhos, datas e frases que homenageiam pessoas da família. Outras
são mensagens de fé, imagens que ela acha bonitas ou tatuagens que, pra ela, são
“úteis”, como a informação do próprio tipo sanguíneo, por exemplo.
A próxima tatuagem se enquadrará na linha de “utilidade”, como conta Rosa. A
idosa pretende tatuar um ipê por cima de uma cicatriz que possui em um dos
joelhos, devido a uma cirurgia.
“Minha família já acostumou. Minha filha até perguntou: ‘Mãe, não vai inventar
de fazer tatuagem no joelho, né?’. Eu falei: ‘Claro que vou!’. Eu vou fazer a
tatuagem no joelho e onde sobrar lugar… no braço, no pescoço, na perna… eu
vou fazer!”, destaca.