Azul prevê novas rotas internacionais a partir de 2027, recebe aviões e descarta fusão com a Gol após reestruturação
CEO da companhia aérea reforçou que 2026 será período de reorganização operacional após saída da empresa do processo de recuperação judicial nos EUA.
Azul recebe aviões e prevê novas rotas internacionais a partir de 2027
A Azul [https://g1.globo.com/tudo-sobre/azul/] afirmou que deve retomar o crescimento de rotas internacionais a partir de 2027, após concluir a transição de frota prevista para este ano. A informação foi dada pelo CEO John Rodgerson durante coletiva nesta segunda-feira (23).
O executivo reforçou que 2026 será um período de reorganização operacional, com a chegada de novas aeronaves e devolução de modelos mais antigos, após a saída da empresa do Chapter 11, o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos – mecanismo semelhante à recuperação judicial no Brasil [https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/05/28/azul-reestruturacao-financeira-estados-unidos.ghtml].
Rodgerson também descartou a possibilidade de retomar as negociações de fusão entre Azul e Gol por não haver necessidade de combinação das empresas após o processo de recuperação judicial nos EUA – entenda abaixo.
Ainda na coletiva, o CEO confirmou que as companhias norte-americanas American Airlines e United Airlines terão, cada uma, 8% das ações da companhia com os aportes de 100 milhões de dólares[https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/02/23/american-e-united-passam-a-deter-8percent-cada-da-azul-apos-investimento-em-acordo-de-recuperacao-judicial-nos-eua.ghtml]anunciados no dia 19 de fevereiro. No caso da American, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
RENOVAÇÃO DA FROTA
Segundo Rodgerson, a Azul vai receber dois A330neo novos de fábrica nos próximos meses, ao mesmo tempo em que devolverá aviões mais antigos que tinham custo mais alto de arrendamento. A troca deve ocorrer ao longo de cerca de seis meses. O CEO destacou que os novos modelos têm custo operacional menor do que os que estão sendo retirados.
Além dos jatos de longo curso, a companhia continuará recebendo aeronaves da Embraer — entre cinco e seis por ano — e reativará três aviões que estavam parados por problemas técnicos. A empresa opera hoje uma frota de 175 aeronaves ativas.
CRESCIMENTO INTERNACIONAL APÓS TRANSIÇÃO
De acordo com o CEO, a expansão de voos para o exterior só deve ocorrer depois que a companhia concluir a renovação da frota. A Azul já opera rotas para Estados Unidos e Europa, além de destinos como Montevidéu e, sazonalmente, Bariloche.
“Vamos continuar crescendo internacionalmente, mas isso será mais a partir de 2027, não em 2026”, afirmou Rodgerson.
Ele explicou que o foco deste ano é substituir aeronaves, reorganizar a malha e preparar a companhia para voltar a expandir com segurança financeira.
AZUL DESCARTA FUSÃO COM A GOL
Questionado sobre a possibilidade de retomar negociações com o Grupo Abra, controlador da Gol e da Avianca, Rodgerson afirmou que a fusão não está nos planos da companhia.
O CEO explicou que, antes de entrar no Chapter 11, uma fusão poderia ter sido considerada como solução para enfrentar o alto endividamento. No entanto, com o novo balanço e o nível atual de alavancagem, a Azul não vê necessidade de combinação de negócios.
“Não está na mesa. Saímos do processo com dívida menor e uma empresa mais saudável”, afirmou.
SAÍDA DO CHAPTER 11
Azul diz recuperação judicial reduziu dívida de empréstimos e financiamentos em US$ 1,1 bi [https://s04.video.glbimg.com/x240/14367187.jpg]
O processo de recuperação judicial finalizado pela Azul Linhas Aéreas [https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/02/20/azul-anuncia-saida-do-processo-de-recuperacao-judicial-nos-eua.ghtml] significou, segundo o comunicado da companhia, redução de cerca de 1,1 bilhão de dólares nas dívidas de empréstimos e financiamentos.
Somada à queda nas obrigações de arrendamento (aluguel) de aeronaves, que foi de cerca de 40%, a redução nos dividendos chega a aproximadamente 2,5 bilhões de dólares. Além disso, a companhia afirmou que saiu do processo com 850 milhões de dólares em novos investimentos em ações.
Em maio de 2025, quando anunciou o início da recuperação judicial, a empresa estimava a eliminação de mais de 2 bilhões de dólares (cerca de R$ 11,28 bilhões) [https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/05/28/azul-reestruturacao-financeira-estados-unidos.ghtml] e o aporte financeiro de 950 milhões de dólares.
Os outros resultados indicados pela companhia são:
– redução dos pagamentos anuais de juros em mais de 50% em comparação aos níveis anteriores ao Capítulo 11;
– redução em cerca de um terço dos custos recorrentes com arrendamento de aeronaves;
– captação de aproximadamente 1,375 bilhão de dólares da emissão de Notas Seniors e 950 milhões de dólares por meio de compromissos em equity.
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