Os trabalhadores, que incluíam pessoas do Rio de Janeiro, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais, foram enganados por ofertas de empregos que prometiam salários mensais de aproximadamente US$ 1.500 e passagem aérea paga. Contudo, ao desembarcar, tiveram seus passaportes confiscados, enfrentaram violência e foram forçados a realizar golpes online.
“Muitos tentaram fugir, foram agredidos, éramos humilhados constantemente”, revelou uma das vítimas, que preferiu se manter anônima.
Após uma série de abusos, incluindo agressões e condições de trabalho desumanas, as vítimas foram transferidas para Madagascar. Em uma batida policial em 19 de agosto, o grupo foi preso por estar sem documentos. Desde então, o Itamaraty e a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia têm trabalhado para assegurar o retorno dos brasileiros ao Brasil.
A advogada Queila Veloso, que representa uma das vítimas, explicou que a baiana aceitou a proposta de trabalho com a esperança de melhorar sua situação financeira, sem saber que seu amigo que a recrutou também havia sido vítima do mesmo esquema.
“Quando cheguei lá, meu passaporte foi retido, e eu fui obrigada a trabalhar em telemarketing, aplicando golpes em brasileiros”, contou ela. O grupo viveu em um alojamento fortificado, onde a liberdade de movimento era severamente restrita, e os que não cumprissem as ordens eram ameaçados e agredidos, acumulando dívidas exorbitantes com os exploradores.
Depois de serem libertados, as vítimas foram acolhidas pela ONG Exodus Road Brasil, que está oferecendo suporte, embora ainda não tenham recebido ajuda do governo brasileiro. “Eles estão abrigados em uma igreja, protegidos em uma localização não divulgada para garantir sua segurança”, disse Cintia Meirelles, diretora da ONG.
A situação dos brasileiros continua em andamento, com esforços ativos sendo feitos para garantir seu retorno seguro ao Brasil.



