Jornal Diário do Estado

Baixa umidade do ar causa lesão no sistema respiratório e gera prejuízos para a saúde dos goianos

Constante mudança do tempo deixa as pessoas mais suscetíveis a doenças, e a baixa umidade do ar aumenta o índice de agravamento dos quadros de asmas, rinites e sinusites.

A oscilação de temperaturas associada ao tempo seco causa impactos negativos na saúde dos goianienses. A constante mudança do tempo deixa as pessoas mais suscetíveis a doenças, e a baixa umidade do ar aumenta o índice de agravamento dos quadros de asmas, rinites e sinusites.

Perigos da baixa umidade

Neste mês de agosto, Goiás foi atingido por ao menos três frentes frias de origem polar, que causaram mudanças drásticas nas temperaturas. Além disso, a umidade relativa do ar sofreu um declínio considerável, colocando Goiás em estado de alerta. Nesta semana, os índices chegaram a 16% em alguns municípios, inclusive, em Goiânia, segundo o Centro de de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo).

Vale ressaltar que de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal para o bem estar humano é uma umidade relativa do ar entre 60% e 80%. Portanto, o sistema imunológico e aparelhos respiratórios dos goianos precisam ”trabalhar” um pouco mais para manter o corpo saudável.

Médico pediatra do Hospital Estadual da Mulher (Hemu), Ronaldo Moura. (Foto: Arquivo pessoal)

“O ar seco causa uma lesão no sistema respiratório. Porque o ar que a gente inala deve ser umidificado. Nosso corpo umidifica, mas com a umidade do ar muito baixa essa umidificação fica insuficiente. Isso favorece o surgimento de doenças respiratórias, que podem ser muito graves”, explicou o médico pediatra do Hospital Estadual da Mulher (Hemu), Ronaldo Moura.

De acordo com Ronaldo, a umidificação e a proteção interna do sistema respiratório é uma forma de defesa. “Quando está muito seco, essa defesa fica prejudicada, e isso favorece que vírus, bactérias, outros agentes alérgicos tipo, ácaros, eles promovam essas respostas inflamatórias e alérgicas. Então, esse é o grande risco.”

Para quem mora ou precisa ficar por muito tempo em locais com muita poeira, queimadas ou ruas não asfaltadas, a situação é ainda pior.

Médica pneumologista Fernanda Miranda (Foto: Arquivo pessoal)

“Tudo isso contribui para que piore ainda mais a qualidade do ar. Essas fumaças são tóxicas, as poeiras ficam mais tempo suspensas, elas não se depositam no solo. Então é preciso um cuidado redobrado”, explica a médica pneumologista Fernanda Miranda.

O nariz, um dos principais órgãos do sistema respiratório, tem a função de filtrar, umedecer e aquecer o ar que nós respiramos, para que ele chegue aos pulmões em condições ideais. No entanto, quando o ar está seco “o nariz pode não conseguir umidificar da maneira correta.”

Quando o ar chega até os pulmões de forma “indesejada”, podem ocorrer alguns sintomas, entre eles o congestionamento nasal, coriza excessiva e outras.

“O nariz fica entupido, o nariz escorre com facilidade, faz coriza porque a mucosa do nariz começa a ficar inflamada. Pessoas que têm doenças respiratórias crônicas como por exemplo a asma, tem que tomar muito cuidado. Porque nesta época do ano essas doenças podem se agravar”, ressaltou a pneumologista Fernanda Miranda.

Prevenção:

Esse agravo na saúde pode ser, no entanto, prevenido com cuidados simples como: uso de umidificador de ar, toalhas molhadas, uso de soro nasal e nebulização com soro. Não realizar atividades físicas ao ar livre entre às 10 e 16 horas.

“A gente pede pra usarem os umidificadores, para tentar melhorar a taxa de umidade relativa do ar pelo menos dentro de casa…. Esse umidificador tem que ficar sempre na parte mais elevada do quarto. Se não tem umidificador, vamos colocar a própria toalha de banho. Molha ela antes de dormir, coloca no quarto e no outro dia a pessoa vai ver que ela estará seca”, explicou Fernanda.