O Banco Master declarou ter pago R$ 5,125 milhões ao economista Gustavo Loyola, duas vezes presidente do Banco Central. Ele comandou o BC entre 1992 e 1993, durante o governo Itamar Franco, e depois voltou entre 1995 e 1997, nomeado por Fernando Henrique Cardoso.
A informação consta nos relatórios da Receita Federal enviados para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Como mostrou o DE, o banco de Daniel Vorcaro também declarou pagamentos ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda, à família do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), ao ex-prefeito de Salvador (BA) ACM Neto (União Brasil), bem como aos ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.
À coluna, Loyola afirmou que sua participação em um comitê consultivo do Master junto de Meirelles e Lewandowski era conhecida. Segundo o economista, ele atuava como consultor de macroeconomia, basicamente. “Era um pouco isso, olhar as coisas de mercado. Não era uma coisa que avaliasse outros aspectos, a não ser oportunidades de mercado”, explicou.
Ligação com o Banco Master
Loyola é diretor-presidente do Tendências Consultoria, em sociedade, entre outros, com o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega. Mas foi contratado pelo Master a partir da Gustavo Loyola Consultoria LTDA, que ele tem em sociedade com o filho, sendo sócio majoritário com participação de 99%.
A consultoria de Loyola para o Master começou em meados de 2023 e era paga com depósitos mensais de R$ 250 mil. No total, o ex-presidente do BC recebeu R$ 1,250 milhão do Master em 2023 e o dobro disso tanto em 2024 quanto em 2025, chegando à quantia de R$ 5,125 milhão em pouco mais de dois anos.
Em 2025, enquanto trabalhava para o Master, Loyola concedeu entrevista defendendo que a compra do Master pelo BRB poderia ser algo benéfico para “todo mundo”. À coluna, ele afirmou que avisou o entrevistador sobre sua relação com o banco de Daniel Vorcaro e que não tinha informações sobre as transações entre as duas instituições bancárias.
Relação com o mercado financeiro
O economista ressaltou que seu papel no comitê consultivo era restrito à consultoria em macroeconomia, focando nas oportunidades de mercado. Ele afirmou que não tinha conhecimento sobre a operação de venda de carteira entre o Master e o BRB, destacando que operações desse tipo são comuns.
A transparência nas relações entre consultores e empresas do mercado financeiro tem sido um tema recorrente, levantando questões sobre possíveis conflitos de interesses. O caso de Loyola traz à tona a importância de discutir a ética e a regulação nesses setores.
Diante da repercussão dos pagamentos feitos pelo Banco Master a personalidades do cenário político e econômico, a sociedade busca entender os bastidores dessas relações e como elas impactam as decisões que afetam a economia do país.
Novas perspectivas para o cenário econômico
Com as revelações sobre os pagamentos feitos pelo Banco Master, cresce o debate sobre a transparência e a regulação das relações entre consultores e instituições financeiras. A necessidade de garantir a lisura e a ética nesses processos se torna ainda mais evidente.
Os desdobramentos dessas informações podem influenciar a forma como o mercado financeiro é visto e regulamentado, impactando não apenas os profissionais envolvidos, mas também as políticas públicas e as decisões de investimento.
O acompanhamento atento desses casos pela sociedade e pelas autoridades competentes é fundamental para assegurar a integridade e a transparência no sistema financeiro, promovendo um ambiente mais justo e equilibrado para todos os agentes econômicos.


