Energético, lanches leves e café: integrantes da Barroca Zona Sul, última escola a desfilar no Anhembi, lutam contra a madrugada
Com desfile previsto para depois do amanhecer, ritmistas e baianas apostam em energético, alimentação leve e estratégia para driblar o sono e garantir fôlego na avenida.
Integrantes da Barroca Zona Sul, última escola a desfilar, lutam contra a madrugada
Como se manter acordado durante a madrugada? Esse foi o principal desafio dos integrantes da Barroca Zona Sul, sétima e última escola a cruzar o Sambódromo do Anhembi na primeira noite do Carnaval de São Paulo. Já eram quase 7h deste sábado (14) quando a agremiação entrou na avenida.
Diretor de tamborim da agremiação desde 2018, Ykaru Romano apostou no reforço clássico: energético. Ele comprou a bebida para todos os ritmistas da ala, numa tentativa de manter a bateria em ritmo acelerado até o fim.
O grupo chegou por volta da 1h ao Distrito Anhembi — cerca de quatro horas e meia antes do início do desfile. Guardadas em um cooler, as latas eram distribuídas entre os músicos, acomodados na grama ou na calçada enquanto aguardavam a concentração.
Preparamos os ritmistas com total carinho e apreço. Compramos energético, organizamos uma alimentação balanceada. Evitamos bebida alcoólica, pedimos para todo mundo entender a responsabilidade e permanecer ativo.
— Ykaru Romano, diretor de tamborim da Barroca Zona Sul
Para muitos, o cansaço era ainda maior: houve quem saísse direto do trabalho para a quadra e, de lá, seguisse para o desfile.
> “Tem gente que veio direto, tomou um banho lá na quadra e já veio. O preparativo é grande. É um sacrifício que a gente faz pela escola, pelo pavilhão”, afirma o diretor.
Esta é a primeira vez que Ykaru desfila no último horário, já com o sol surgindo no horizonte. Embora o amanhecer seja motivo de preocupação para algumas escolas, ele prefere ver o lado simbólico da cena. Neste ano, a Barroca homenageia Oxum — e, para ele, a luz do dia pode trazer ainda mais brilho ao desfile.
Enquanto a bateria se concentrava ao ar livre, as integrantes da tradicional ala das baianas descansavam em um saguão comprido, repleto de cadeiras de plástico. Para enfrentar a madrugada, receberam um kit lanche com sanduíche de frios, maçã e suco de caixinha.
Entre elas estavam Alexandra Liberto e a mãe, Sônia Maria, que desfilam pela Barroca pela primeira vez, a convite de uma amiga da ala. Nos últimos anos, as duas integraram a Unidos do Peruche, do Grupo de Acesso, mas decidiram mudar de escola por morarem na Zona Sul, onde fica a quadra da Barroca — conhecida como Faculdade do Samba.
A gente evita comida pesada, porque pode dar algum problema na hora de desfilar. Tomei uma sopinha antes de vir e agora esse lanchinho ajuda a reforçar. A gente come para não passar mal e conseguir rodar até o final.
— Alexandra Liberto, que desfilou pela Barroca
Por volta das 3h, quando conversavam com o DE, elas ainda vestiam apenas a parte de baixo da fantasia, sem a estrutura que sustenta a saia. Alexandra revelou ainda um truque estratégico: a peça tem uma bolsa grande costurada por dentro, onde ela guarda lanches e maquiagem. Assim, entra na avenida com tudo à mão — e sem que ninguém perceba.
> Mas, se para ritmistas e baianas o desafio era preservar energia, para as passistas a exigência vinha em dobro: além de atravessar a madrugada acordadas, precisavam manter o sorriso e o samba no pé até o último metro da avenida.
Bruna Tanzilo, passista da escola, chegou ainda na noite anterior e diz que a preparação começou dias antes. “Eu já tento regular o sono na semana do desfile. Hoje, tomei café, energético, mas também me alimentei leve. Não dá para pesar, porque a fantasia já pesa”, conta.
Com brilho no rosto e maquiagem reforçada para resistir ao calor do amanhecer, ela afirma que o cansaço desaparece quando pisa na avenida. “Quando a bateria começa, a gente esquece tudo. Pode estar exausta, mas ali vira outra energia. É uma troca com o público.”
Ainda assim, admite que o horário inédito trouxe ansiedade. “Desfilar com o dia clareando é diferente. Dá um frio na barriga. Mas também é bonito — parece que o sol está abrindo caminho para a gente.”




