Bebê com malformação rara que comprimia traqueia é extubada

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Após quase dois meses de incertezas, médicos identificaram a causa das graves dificuldades respiratórias de Rebeca, bebê de três meses. Exames realizados em Goiânia apontaram um raro “sling” da artéria pulmonar, malformação em que o vaso sanguíneo envolve e comprime a parte inferior da traqueia, o que reduz a passagem de ar e coloca vida da criança em risco.

A mãe da criança, Vilma Santos de Oliveira, afirma que percebeu sinais de problema desde o nascimento da filha, em Rio Verde. O estridor, ruído respiratório característico de obstrução nas vias aéreas, foi tratado inicialmente como algo comum. Segundo ela, profissionais de saúde chegaram a realizar uma frenotomia, procedimento na língua, apesar das queixas de dificuldade respiratória durante a amamentação. “Ninguém ajudou. Diziam que era normal”, relatou.

A situação mudou quando a bebê foi encaminhada para Goiânia. Exames de imagem detalhados revelaram a malformação vascular que pressionava a traqueia. O diagnóstico exigiu uma abordagem cirúrgica complexa e mobilizou uma equipe multidisciplinar especializada em vias aéreas pediátricas.

Rebeca passou por uma cirurgia de aproximadamente três horas no dia 5 de março. O procedimento utilizou circulação extracorpórea para permitir a descompressão da artéria pulmonar e a reconstrução da traqueia. A operação reuniu cirurgião cardíaco, cirurgiã torácica, otorrinolaringologista pediátrica e anestesista especializado.

Nesta quinta-feira (12/03), a equipe médica retirou o tubo de ventilação mecânica. A bebê passou a respirar com auxílio de ventilação não invasiva por máscara. Apesar do avanço, o quadro ainda inspira cuidados e ela permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva.

Uma broncoscopia realizada após a cirurgia mostrou que a traqueia foi reconstruída com sucesso e que os vasos pulmonares retornaram à posição correta. Os médicos também observaram leve achatamento do brônquio esquerdo, alteração que pode se corrigir com o crescimento da criança.

A equipe médica ressalta que o pós-operatório de casos como esse exige atenção constante. Desde a cirurgia, a bebê apresentou intercorrências previsas em procedimentos dessa complexidade, que incluíram episódios graves, mas todos foram revertidos pela equipe hospitalar.

Devido à raridade da malformação e à complexidade da cirurgia, o caso clínico será apresentado em um congresso médico em Boston, nos Estados Unidos. A expectativa da equipe é ampliar o conhecimento científico sobre o diagnóstico e tratamento da condição.

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