Belo Horizonte (MG) — O caso do empresário Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, que foi acusado de matar sua esposa, Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, e forjar um acidente de trânsito para encobrir o crime, avança para o júri popular. A decisão foi proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes, do Tribunal do Júri da capital mineira, e anunciada na última segunda-feira (13). Alison se tornou réu em março deste ano e, atualmente, aguarda a definição da data para o julgamento, que promete intensificar a discussão em torno do feminicídio e da violência contra a mulher em Minas Gerais.
O Crime e suas Circunstâncias
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o crime ocorreu em 14 de dezembro de 2025, quando Alison teria asfixiado sua companheira dentro de um apartamento localizado no bairro Nova Suíça, na Região Oeste de Belo Horizonte. O contexto do relacionamento entre os dois, segundo as investigações, era marcado por episódios frequentes de agressões físicas e psicológicas.
Naquele dia fatídico, Henay teria manifestado sua vontade de terminar o relacionamento, o que teria deixado Alison inconformado. Em um ato de brutalidade, ele a atacou, resultando em sua morte. Após o homicídio, segundo a denúncia, o empresário tentou montar uma encenação, colocando o corpo de Henay no banco do motorista de seu veículo e assumindo o banco do passageiro durante a viagem até a MG-050, onde provocou uma colisão com um micro-ônibus, na tentativa de simular a morte da mulher como um acidente de trânsito.
Descoberta do Crime
A simulação de acidente, porém, não teve o efeito desejado. A Polícia Civil iniciou uma investigação que ganhou força a partir da análise de imagens de câmeras de segurança localizadas na praça de pedágio onde o empresário passou antes do impacto. As gravações mostram Alison controlando o veículo enquanto Henay estava desacordada, evidenciando um claro indício de que o que deveria ser um acidente foi, na verdade, uma ação premeditada para encobrir um homicídio. Após a batida, Alison foi detido no dia seguinte, durante o velório da vítima, um acontecimento que chocou a sociedade e gerou uma forte repercussão na imprensa.
Implicações Legais e Sociais
As acusações contra Alison não se restringem apenas ao feminicídio. Ele também responde por fraude processual, ao tentar alterar a cena do crime e dificultar as investigações. O processo evidencia não apenas a brutalidade do crime em si, mas também um padrão de violência domesticamente enraizado, que afeta inúmeras mulheres no Estado de Minas Gerais. Dados fornecidos por instituições de segurança demontram que a violência contra a mulher continua a ser uma preocupação central nas políticas públicas tanto da Polícia Militar quanto do Governo do Estado de Minas Gerais.
O caso levantou um questionamento importante acerca da resposta do sistema judicial e da sociedade frente ao feminicídio, que no Brasil tem sido considerado uma questão de saúde pública. Segundo estatísticas, diariamente, mulheres são vítimas de violência em várias formas, e iniciativas para o combate a esse fenômeno são mais necessárias do que nunca.
Posicionamentos e Expectativas
Procurado pela reportagem, o Governo do Estado de Minas Gerais manifestou sua preocupação com o aumento do feminicídio e reiterou o compromisso em fortalecer as políticas de proteção e prevenção à violência contra a mulher. Além disso, ressaltou a importância de medidas que promovam a educação e o empoderamento feminino como forma de minimizar os índices de violência.
Enquanto isso, a defesa de Alison de Araújo Mesquita se encontra em silêncio, sem se manifestar publicamente sobre o caso desde o início do processo. Especialistas em direito criminal indicam que a falta de um posicionamento pode ser uma estratégia, dado o pesado histórico de provas contra ele, que incluem confissões e gravações documentais que complicam a sua defesa.
Próximos Passos
Os próximos passos no caso envolvem a definição da data do júri popular, onde a sociedade terá a oportunidade de acompanhar o desfecho de um caso que expõe o lado mais sombrio do relacionamento abusivo e da misoginia estruturada. A mobilização em torno do caso promete atrair atenções, com grupos de direitos das mulheres organizando ações para promover a conscientização sobre a violência contra a mulher e pressionar por justiçapela morte de Henay.
Após o julgamento, que ainda não tem data definida, o desfecho do caso poderá não apenas resultar em um veredicto de culpa ou inocência, mas contribuir também para um debate mais amplo sobre a segurança das mulheres em Minas Gerais e no Brasil como um todo.



