Bicheiro Adilsinho é preso pela PF por crimes diversos: do jogo do bicho ao trabalho escravo

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Assassinatos, caça-níqueis, jogo do bicho, cigarro ilegal e trabalho escravo: os
crimes atribuídos a Adilsinho, segundo a polícia

Investigado por dezenas de casos e com cinco mandados de prisão em aberto,
contraventor foi localizado em casa em Cabo Frio após trabalho conjunto das
polícias Federal e Civil.

Bicheiro Adilsinho é preso pela PF e Polícia Civil

Preso em uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil, o contraventor
Adilson Oliveira Coutinho, o Adilsinho, é apontado pelas autoridades como um dos principais nomes da cúpula do jogo do
bicho no Rio de Janeiro.

Ao longo dos anos, passou a ser associado não apenas à exploração da
contravenção, mas também a uma série de crimes que, segundo investigadores,
ampliaram o poder econômico e territorial do grupo.

De acordo com as investigações, o esquema comandado por Adilsinho envolvia
diferentes frentes ilícitas — da exploração tradicional de pontos de bicho e
máquinas caça-níqueis ao comércio ilegal de cigarros, com suspeita de uso de
trabalho escravo, além de suspeitas de homicídios ligados a disputas por território.

JOGO DO BICHO E CAÇA-NÍQUEIS

Apontado como herdeiro de uma das mais antigas famílias da contravenção,
Adilsinho é investigado por comandar pontos de jogo do bicho em bairros da Zona
Norte e da Baixada Fluminense.

A polícia afirma que o grupo também operava máquinas caça-níqueis espalhadas por
bares e estabelecimentos comerciais.

Segundo os investigadores, o esquema movimentava milhões de reais por mês. Parte desse dinheiro, de acordo com o Ministério Público, seria usada para
manter a estrutura da organização e para corromper agentes públicos.

ASSASSINATOS E DISPUTAS POR TERRITÓRIO

A Polícia Civil afirma que o grupo está sob investigação por envolvimento em
assassinatos ligados à disputa pelo controle de áreas do jogo do bicho. Embora
os casos específicos corram sob sigilo, os investigadores apontam que a
violência teria sido usada como forma de intimidação contra rivais e até contra
integrantes da própria organização.

Entre os casos investigados está a morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, no
dia 26 de fevereiro de 2024. No dia 9 de abril daquele ano, policiais cumpriram
mandados de busca e apreensão contra Adilsinho, e outras oito pessoas
investigadas no inquérito. Ele é apontado como possível mandante.

CIGARRO ILEGAL

Outro braço do esquema, segundo as autoridades, era a comercialização de
cigarros contrabandeados. O material, geralmente vindo do Paraguai, abastecia pontos de venda na Região
Metropolitana do Rio.

A polícia afirma que a venda do produto ilegal ampliava os lucros da organização
e fortalecia a presença do grupo em comunidades onde o comércio formal enfrenta
menos fiscalização. Segundo a Polícia Federal, a produção ilegal rende à
quadrilha de Adilsinho um faturamento mensal de, no mínimo, R$ 50 milhões.

SUSPEITA DE TRABALHO ANÁLOGO À ESCRAVIDÃO

As investigações também apontam suspeitas de exploração de trabalhadores em
condições degradantes em fábricas clandestinas de cigarros. Segundo os
investigadores, pessoas seriam mantidas em jornadas exaustivas e sob condições
precárias de higiene e segurança. O caso é apurado em conjunto com outros órgãos
de fiscalização.

O advogado Ricardo Braga, que representa Adilsinho, divulgou nota afirmando que
a prisão ocorreu “dentro da mais absoluta tranquilidade”.

“As imagens da prisão evidenciam que tudo transcorreu dentro da mais absoluta
tranquilidade, fato que desconstrói a narrativa de periculosidade atribuída ao
empresário. A defesa reafirma que ele confia na Justiça e demonstrará sua
inocência quanto a todos os fatos que lhe são injustamente imputados”, diz o
texto.

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