O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, recusaram, nesta terça-feira (13), prestar depoimento a uma investigação conduzida por republicanos na Câmara dos Representantes sobre o caso de Jeffrey Epstein, segundo a agência Reuters. O financista morreu na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual, durante o primeiro mandato de Donald Trump, presidente dos EUA. A morte foi considerada suicídio.
Em carta enviada ao deputado republicano James Comer, presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, o casal classificou a investigação como uma iniciativa de caráter partidário. No documento, afirmaram que decidiram não comparecer por considerarem que as intimações não têm validade legal. “Cada pessoa precisa decidir quando já viu ou viveu o suficiente e está pronta para lutar por este país, seus princípios e seu povo, independentemente das consequências. Para nós, esse momento é agora”, escreveu o casal de políticos.
O casal disse ainda que tentou fornecer “as poucas informações” de que dispunha para colaborar com a apuração e acusou Comer de desviar o foco da investigação. Segundo eles, a atenção deveria estar voltada às ações do governo federal relacionadas ao caso Epstein. “Se o governo não fez tudo o que podia para investigar e processar esses crimes, por qualquer razão que seja, isso deveria ser o foco do seu trabalho. Não há evidência de que o senhor esteja fazendo isso”, afirmam na carta. Em outro trecho, acrescentaram: “Não há explicação plausível para o que está sendo feito além de política partidária”.
James Comer reagiu à recusa e afirmou que o comitê deverá se reunir na próxima semana para votar a abertura de um processo por desacato contra Bill Clinton, o que pode levar a acusações criminais. Um porta-voz do colegiado informou que procedimento semelhante poderá ser adotado contra Hillary Clinton caso ela não compareça à comissão na quarta-feira (14). Comer, por sua vez, declarou que “a maioria dos estadunidenses” quer que Bill Clinton responda a perguntas sobre sua relação com Epstein. O deputado do Kentucky afirmou que o financista visitou a Casa Branca 17 vezes durante o governo Clinton e que o ex-presidente teria voado cerca de 27 vezes no avião particular de Epstein.
Bill Clinton já declarou arrependimento pela relação com Epstein e afirmou que desconhecia qualquer atividade criminosa do financista. Até o momento, não surgiram evidências de envolvimento do ex-presidente em crimes de tráfico sexual. “Ninguém está acusando Bill Clinton de irregularidades”, disse Comer. “Nós apenas temos perguntas.” O Departamento de Justiça dos Estados Unidos vem divulgando documentos relacionados a investigações sobre Epstein, que manteve relações com figuras políticas de diferentes espectros, incluindo Trump e os Clinton. A liberação ocorre em cumprimento a uma lei de transparência aprovada pelo Congresso.




