Bloco bangalafumenga cancela desfile no carnaval do Rio

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O Bloco Bangalafumenga cancelou sua participação no Carnaval do Rio em 2025, criticando a apropriação do evento pelo poder público e iniciativa privada. O grupo promete voltar em 2026 com um novo formato.

O cancelamento do desfile

O famoso Bloco Bangalafumenga, que arrasta uma multidão no Rio, anunciou na terça-feira, 26 de fevereiro de 2025, que não irá desfilar no carnaval deste ano. O cortejo estava previsto para ocorrer no domingo. Em uma postagem no Instagram, os organizadores explicaram que o modelo de apropriação do carnaval pelo poder público e revenda, sem necessidade, para a iniciativa privada, não condiz com o propósito do bloco. O grupo anunciou ainda que volta em 2026 com um novo modelo de cortejo.

Declaração do Bloco Bangalafumenga

“O Bloco Bangalafumenga, com muita paz interna, convicção e coragem, anuncia para a comunidade do Banga e para seus queridos fãs e parceiros o seu novo modelo de cortejo para o Carnaval de 2026. Isso mesmo, 2026. Em decisão tomada na noite desta segunda-feira, dia 24 de fevereiro, junto com os integrantes da nossa bateria, decidimos que não iremos simplesmente seguir o fluxo, nos manter em um piloto automático e seguir dentro de um modelo de Carnaval de Rua na nossa cidade que há anos se mostra asfixiante para os blocos, os verdadeiros realizadores e donos da festa”, diz a nota.

A crítica ao modelo de carnaval

O Bloco Bangalafumenga afirma que o modelo atual revende o carnaval duas vezes, pela prefeitura e pela empresa que venceu a concorrência para organizar a festa, a Dream Factory. “Revendem para outras marcas, ao mesmo tempo que juntas, cidade e empresa, limitam e sufocam as possibilidades de ativação de marcas que não fazem negócio com elas e que patrocinam o bloco, o artista. Não pode isso, não pode aquilo. Qual o resultado? Marcas afugentadas, com receio de multas por suas ativações nas ruas, tentam proteger sua reputação comprando o patrocínio oferecido então pelo caminho que lhes resta. Caminho que passa longe dos donos e protagonistas da festa, os blocos”, explica o comunicado.

Pesquisas sobre a satisfação dos blocos

No ano passado, uma pesquisa feita pela associação Coreto, que representa 40 blocos do Rio, mostrou que 71% dos responsáveis pelos blocos do coletivo consideram o processo de produção do carnaval de rua do Rio regular, ruim ou péssimo. Apenas 12% dos produtores culturais classificaram o processo implementado pela Riotur como “bom”. Nenhum deles disse que o esquema atual é “ótimo”.

Problemas enfrentados pelos blocos

Segundo o Coreto, os principais problemas na organização do carnaval de rua são: dificuldade de financiamento e liberação dos bombeiros. Em início de fevereiro, a prefeitura publicou uma portaria que afirmou que, segundo a Riotur, ampliava as possibilidades de patrocínios aos blocos carnavalescos. A medida tornava mais clara as regras que permitem a captação de patrocínio direto para os blocos de rua regularizados. No entanto, os projetos precisam ser previamente aprovados pela entidade municipal, podendo sofrer veto parcial ou total.

Cancelações de outros blocos

Outros blocos também cancelaram suas participações. O Fundição dos Blocos, que aconteceria na segunda-feira de carnaval, foi cancelado. Além disso, os blocos gospel Mocidade Dependente de Deus e o Aki Pra Você da Ilha do Governador também não irão mais desfilar.

Novos caminhos para o Bloco Bangalafumenga

O Bloco Batuquebato, que desfilaria na Praça Marechal Âncora, terá um novo percurso: o bloco vai ser parado na Praça Tiradentes. A concentração começa às 15h deste sábado. O bloco do GRBC Cardosão de Laranjeiras acontecerá na Rua Cardoso Júnior, do número 746 até o 420. A data e o horário estão mantidos: dia 4, terça-feira, das 9h às 15h.

O futuro do Bloco Bangalafumenga

Por fim, o Bangalafumenga informou: “Esse comunicado não é um pedido de ajuda. Muito pelo contrário. Poderíamos realizar nosso cortejo em 2025, como sempre. Mas decidimos que a arte e o Banga merecem e devem ter um papel mais relevante em todo esse processo. O Banga voltará às ruas em breve, em outro formato. Nossa vocação não nos permite mais normalizar a apropriação da festa. Trabalharemos de forma pragmática, organizada para reverter esse contexto. O futuro do carnaval de rua do Rio precisa mudar agora. Aos fãs do Banga, amigos, familiares, parceiros de longa data, equipes de produtores, técnicos, brigadistas que sempre estão conosco, seguimos juntos. É só o começo.”

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