Bloco Bangalafumenga cancela participação no Carnaval 2025 e convoca blocos para reflexão sobre modelo de organização.

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O Bloco Bangalafumenga, fundado em 1998 no Rio, anunciou nesta segunda-feira (24) o cancelamento de sua participação no Carnaval da cidade em 2025. Eles reclamaram do modelo de organização da prefeitura e convidaram outros grupos para uma reflexão. O Bangalafumenga teve um público estimado em mais de 100 mil pessoas em 2024 e acusa o atual modelo de revender o Carnaval duas vezes, pela prefeitura e pela empresa responsável pela organização.

Uma pesquisa realizada pela associação Coreto, que representa 40 blocos do Rio, mostrou que 71% dos responsáveis pelos blocos consideram o processo de produção do Carnaval de rua na cidade como regular, ruim ou péssimo. Apenas 12% classificaram o processo da Riotur como “bom”. Dificuldade de financiamento e liberação dos bombeiros são apontados como os principais problemas na organização do evento.

Em fevereiro, a prefeitura publicou uma portaria para ampliar as possibilidades de patrocínios aos blocos carnavalescos, visando facilitar a captação de recursos. A Riotur afirmou que essa medida já poderia ajudar na captação do Carnaval de 2025. No entanto, o Bangalafumenga decidiu cancelar sua participação alegando asfixia e insustentabilidade no modelo atual.

Segundo o manifesto divulgado pelo bloco, o Carnaval do Rio de Janeiro movimentou mais de 5 bilhões de reais em 2024, mas o Carnaval de rua não recebe de volta o recurso que ele mesmo gera. A revenda do Carnaval para empresas privadas sufoca os blocos, afugentando possíveis patrocinadores. O Bangalafumenga decidiu fazer um Carnaval silencioso em 2025 e apontar para uma nova direção para o evento.

O futuro do Carnaval genuíno, segundo o Bangalafumenga, precisa mudar, e eles se propõem a trabalhar de forma organizada e pragmática para reverter esse contexto. Eles convidam todos os blocos do Rio para um diálogo após o Carnaval e afirmam que a arte e o Bangalafumenga merecem um papel mais relevante no processo. A decisão de cancelar a participação em 2025 é vista como um passo importante em direção a um modelo mais justo e sustentável para o Carnaval de rua no Rio.

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