Até a eleição de 2026, o principal polo de articulação estratégica da oposição não será uma sede partidária nem um gabinete em Brasília. O epicentro das decisões passa a ser a chamada “Papudinha”, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está preso. O movimento nos bastidores é intenso e a agenda, concorrida. Já na próxima semana, Bolsonaro deve receber deputados do Rio de Janeiro e da Paraíba, além de um senador por Goiás. A fila de aliados em busca da “bênção” política do ex-presidente segue crescendo. Nesta sexta-feira (30), parlamentares do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais solicitaram autorização ao ministro Alexandre de Moraes para realizar encontros com Bolsonaro. Decisões relevantes já estão sendo tomadas a partir da cela. Antes da transferência para a Papudinha, quando ainda estava na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Bolsonaro definiu que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), será o nome do grupo na disputa pela Presidência da República em 2026. Na quinta-feira (29), a pauta eleitoral voltou a dominar a conversa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governador reiterou que disputará a reeleição no estado e reforçou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no plano nacional. Há, no entanto, limites impostos pelo Judiciário. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tentou autorização para um encontro com Bolsonaro com o objetivo de tratar de estratégias e alianças para o Senado, mas teve o pedido negado. Alexandre de Moraes argumentou que ambos respondem ao mesmo processo por tentativa de golpe, o que impede a comunicação direta entre eles. A situação não é inédita na história recente do país. Em 2018, o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou sua cela na Superintendência da Polícia Federal no Paraná no principal centro de decisões do PT. Naquele contexto, foi da prisão que Lula sacramentou o nome de Fernando Haddad como candidato à Presidência, após reuniões com a então presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e a recusa de outras lideranças, como Jaques Wagner. A escolha foi formalizada por meio de uma carta manuscrita de Lula, lida publicamente pelo aliado Luiz Eduardo Greenhalgh.




