Ato na Paulista testa o poder de mobilização de Bolsonaro com anistia
Após baixa adesão no Rio, bolsonaristas tratam evento em São Paulo como decisivo para medir a capacidade do ex-presidente em atrair multidões
São Paulo — Após adesão abaixo do esperado em Copacabana, no Rio de Janeiro, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avaliam que o ato pró-anistia aos presos pelo 8 de Janeiro, convocado para acontecer na Avenida Paulista neste domingo (6/4), servirá como termômetro para a realização de novas mobilizações pelo mesmo tema nos próximos meses.
O evento é tratado também como teste para medir a capacidade do líder da direita em ainda levar multidões às ruas, mesmo após ele e outros sete aliados terem se tornado réus pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de estado.
Seguindo bolsonaristas ouvidos pelo Metrópoles, o eventual sucesso de público na Paulista dará mais segurança para a realização de outras agendas do ex-presidente em diferentes regiões do país. A avaliação é de que insistir na convocação de atos com baixa adesão pode ser um “tiro no pé” e evidenciaria a perda de apoio popular ao ex-presidente após o avanço das investigações sobre a trama golpista.
Os organizadores do ato no Rio de Janeiro minimizam o número abaixo do esperado e apostam que o ato em São Paulo será maior. O pastor Silas Malafaia, um dos principais agitadores das mobilizações, afirma que o dia e horário do evento no Rio foram complicadores. A manifestação ocorreu no dia 16 de março, mesma data da final do Campeonato Carioca de futebol.
Segundo levantamento do Monitor do Debate Político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), cerca de 18 mil pessoas estiveram presentes no ato em Copacabana. O número destoou da estimativa feita pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, que apontou 400 mil pessoas no local.
Para o pesquisador da USP e membro do Cebrap, Pablo Ortellado, ainda não é possível dizer que a adesão abaixo do esperado no Rio de Janeiro signifique perda de tração popular de Bolsonaro. Ele avalia que a falta de coordenação para a convocação do ato pode ter contribuído.
“Processos de mobilização têm oscilações. Pode estar acontecendo [uma desmobilização], mas precisamos ver alguns episódios de mobilização baixa começar a formar esse juízo. Acredito que Bolsonaro quer corrigir os erros de convocação da manifestação de Copacabana e mostrar que segue capaz de mobilizar grande quantidade de pessoas”, avalia Ortellado.
Após o ato na Paulista, o ex-presidente deve viajar no próximo dia 10 para o Rio Grande do Norte. Segundo o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, que tem acompanhado Bolsonaro em viagens, o ex-presidente deve aterrissar no aeroporto de Natal e viajar até Pau dos Ferros, a 391 km da capital potiguar. O plano é participar de agendas políticas de pré-campanha do Rogério Marinho (PL) ao governo do estado.