Bombeira civil de 31 anos é morta a facadas por ex que não aceitava término no RS; homem foi preso
Homem teria enviado mensagens do celular da vítima para confundir familiares e a polícia, mas acabou preso após ter versão confrontada; vítima deixa um filho de 10 anos.
O que é feminicídio?
Uma bombeira civil de 31 anos foi morta a facadas em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no sábado (3). Segundo a Polícia Civil, o suspeito é o ex-companheiro de Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte. O homem, de 44 anos, foi preso em flagrante.
A investigação apurou que o suspeito, que não teve a identidade divulgada, tentou simular o suicídio da vítima, para tentar despistar as autoridades. Ele teria enviado mensagens do celular de Gislaine. O caso é investigado como feminicídio.
Conforme o delegado Fabiano Berdichevski, da 17ª Delegacia de Polícia Regional do Interior, familiares e vizinhos estranharam mensagens enviadas do celular de Gislaine. Os textos eram desconexos e indicavam que não era a vítima quem estava se comunicando.
Segundo o delegado, o suspeito chegou a se passar por Gislaine nas mensagens e afirmou, usando o celular dela, que teria o desejo de tirar a própria vida.
“Ficou claro para a polícia que havia uma tentativa de criar uma versão que não correspondia ao que foi encontrado no local”, afirmou Berdichevski.
A Brigada Militar (BM) foi acionada e precisou arrombar a residência. Gislaine já estava morta quando os policiais chegaram. Ela foi atingida por sete facadas.
O suspeito foi encontrado no local fingindo estar desacordado e levado a um hospital, mas não apresentava ferimentos compatíveis com a versão apresentada. Após receber alta, ele foi preso em flagrante.
Em depoimento inicial, o homem alegou que teria sido agredido pela vítima e que teria desmaiado, levantando a hipótese de suicídio ou da participação de um terceiro — versão descartada pela investigação. Segundo a polícia, não havia sinais de que ele tivesse sido esfaqueado.
“O exame físico e o contexto da cena indicaram que se tratava de um feminicídio consumado”, disse o delegado.
Testemunhas informaram que o relacionamento entre os dois durou cerca de três anos e havia terminado recentemente. A motivação do crime, segundo a investigação, está ligada à decisão de Gislaine de encerrar a relação.
> “É um crime de ódio, marcado pelo machismo. A vítima queria o fim do relacionamento e o agressor entendia que aquela mulher pertencia a ele”, afirmou Berdichevski.
Conhecidos relataram que Gislaine sofria violência psicológica. Uma amiga, que preferiu não se identificar, contou que o homem era ciumento e abusivo verbalmente. Segundo ela, o suspeito xingava a vítima, fazia acusações de traição e a responsabilizava pelas próprias agressões verbais.
Descrita por amigos como uma mulher alegre, dedicada e sempre disposta a ajudar, Gislaine trabalhava como bombeira civil e técnica em segurança do trabalho. De acordo com a amiga, ela também buscava qualificação profissional e cursava faculdade na área.
É uma perda imensa. Ela era uma pessoa muito positiva, estava sempre disposta para tudo. É uma perda para todos, mas especialmente para o filho dela, porque ela era apaixonada por ele. Chamava de príncipe. Dizia: ‘ele é minha vida, é meu tudo'”, contou a amiga.
A Polícia Civil informou que não havia registro de boletim de ocorrência nem pedido de medida protetiva feito pela vítima contra o suspeito.
O corpo de Gislaine é velado em São Gabriel, sua cidade natal, desde a noite de domingo (4). O sepultamento está previsto para a manhã desta segunda-feira (5), no Cemitério Municipal.
DENUNCIE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Se a ocorrência estiver em andamento, a vítima de violência ou qualquer pessoa deve ligar para o 190, o número da Brigada Militar.
Se a violência já aconteceu, a vítima deve ir na Delegacia da Mulher ou em qualquer delegacia para fazer o boletim de ocorrência e pedir medidas protetivas. Também é possível registrar uma ocorrência e pedir medida protetiva pela Delegacia Online.
A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas pelo 180. A Defensoria Pública atende pelo telefone 0800-644-5556 e dá orientações sobre direitos e consulta a advogados.
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