RIO DE JANEIRO (RJ) — A entrega do novo trecho do Bonde de Santa Teresa, que promete restabelecer uma ligação histórica no Rio de Janeiro, está atrasada há mais de um ano, gerando insatisfação entre moradores e turistas. A obra, orçada em mais de R$ 50 milhões, foi concluída em novembro de 2024, mas ainda não entrou em operação. O ramal Silvestre, que estava desativado há quase 20 anos, permitirá que passageiros desembarquem a poucos metros da estação do Trem do Corcovado, retomando uma integração que deixou de existir em 1966 após um temporal.
O contrato para a recuperação do trecho foi assinado no fim de 2023 e recebeu três aditivos, que ampliaram custos e prazos. De acordo com uma planilha obtida pela reportagem, o valor total chegou a R$ 53 milhões. Apesar da conclusão das obras há mais de seis meses, os testes operacionais com passageiros ainda não começaram. A Secretaria Estadual de Transportes informou que os testes sem passageiros estão sendo realizados desde o início de junho, em percursos parciais e integrais, e que a circulação com usuários deve iniciar nos próximos dias, com viagens previstas para a parte da manhã e da tarde.
Moradores criticam operação atual dos bondes
Além do atraso no novo ramal, os moradores de Santa Teresa reclamam da quantidade de bondes em circulação e do intervalo entre as viagens. Um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) publicado em abril, com base em levantamento de 2025, apontou que dos oito bondes operacionais, apenas quatro estavam em circulação. Na época, a espera média era de 30 minutos, e o órgão determinou a redução desse tempo. Atualmente, porém, o site oficial do governo informa que o intervalo é de uma hora. Uma moradora relatou à imprensa que, em uma ocasião, esperou por horas e teve que subir o morro a pé, criticando a falta de bondes para atender a população local, não apenas os turistas.
O que diz a Secretaria de Transportes
A Secretaria Estadual de Transporte e a Central Logística afirmaram que quatro dos oito bondes estão circulando, enquanto os outros quatro passam por manutenção para modernização das rodas. Sobre o ramal Silvestre, os testes sem passageiros continuam, e ao longo do mês serão realizados ajustes, treinamento de motorneiros e orientação aos moradores. A grade horária definitiva será divulgada apenas em julho, após avaliação dos resultados dos testes, incluindo horários de maior demanda. Até o fechamento desta reportagem, a equipe esteve no local e não verificou a realização de testes operacionais.



