O Brasil está se preparando para alavancar sua indústria nacional por meio do domínio dos chamados minerais críticos, segundo José Luis Gordon, diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele afima que a estratégia deve transformar a riqueza mineral em um motor de inovação e empregos. Com a pressão global para diversificação de fontes, o país quer deixar de ser um mero exportador de matéria-prima e se estabelecer como um parceiro relevante no cenário internacional.
Na entrevista à Sputnik Brasil, Gordon destacou a importância das terras raras, lítio, cobalto e outros minerais para a produção de tecnologias modernas, como baterias e veículos elétricos. A China, atualmente, controla cerca de 70% da mineração e 90% do processamento de terras raras, o que gera uma oportunidade para o Brasil, que possui vastos recursos minerais, se agregar valor à sua produção e diversificar a cadeia industrial.
O executivo também observou que a nova abordagem do Brasil está em sintonia com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca evitar a repetição do modelo histórico de simplesmente exportar riquezas naturais. “A gente não quer simplesmente vender, exportar o mineral. A gente quer também agregar valor na cadeia de minerais críticos”, afirmou Gordon, enfatizando que a inovação pode ser um vetor para a reindustrialização.
Quais são os benefícios esperados dessa estratégia?
A proposta do BNDES não só visa fortalecer a indústria nacional, mas também criar emprego e inovação. O Brasil planeja implementar políticas que fomentem a exploração e beneficiamento mineral, de modo a não ficar refém de um único fornecedor de recursos. O foco está em agregar valor aos minerais críticos, transformando-os em produtos com tecnologia avançada, impulsionando a economia local.
Além disso, está em funcionamento um Fundo de Investimento em Participações (FIP) em parceria com a mineradora Vale, que visa apoiar empresas em estágio inicial no setor mineral. Essa iniciativa evidencia a intenção do Brasil de se integrar mais profundamente nas cadeias globais de produção, já que cada vez mais países buscam alternativas à dependência da China.
O potencial de investimento é significativo, com projeções que chegam a R$ 50 bilhões para 56 projetos já qualificados. Esse apoio financeiro será distribuído através de linhas de crédito e parcerias para estimular o setor, diretamente impactando a vida de milhares de trabalhadores e a capacidade do Brasil de entrar na corrida global por tecnologia e inovação.
Como o Brasil se posiciona no cenário internacional?
O Brasil não pretende agir isoladamente, mas sim explorar as oportunidades de colaboração internacional. Gordon ressaltou que o critério fundamental é que qualquer investimento deve contribuir para o desenvolvimento da tecnologia e da produção local. “O Brasil é um país multilateral”, disse ele, enfatizando que o país está aberto a trabalhar com partes interessadas que queiram agregar valor aqui.
Essa abordagem tem implicações estruturais para futuros projetos no Brasil, considerando a urgência global na transição energética e a crescente demanda por produtos que utilizam minerais críticos. O alinhamento com as políticas internacionais também pode trazer benefícios financeiros e tecnológicos, fundamentais para o crescimento do setor.
Com essa estratégia, o Brasil busca se firmar como um polo de mineração sustentável e responsável, preocupado com a preservação ambiental enquanto impulsiona crescimento econômico, o que, segundo especialistas, pode ser um divisor de águas para o país na próxima década.
Quais são as previsões para o futuro da mineração no Brasil?
As decisões atuais sobre a política mineral exigem um rigoroso planejamento de longo prazo, sendo a expansão da mineração e do beneficiamento de minerais críticos algo que deve ser tratado com cautela e atenção às demandas ambientais. Gordon enfatizou que “o rigor socioambiental permanecerá como condição para qualquer financiamento”, garantido que os empreendimentos sigam padrões elevados de controle e sustentabilidade.
Esse compromisso pode motivar uma nova onda de investimentos, principalmente com a crescente busca por soluções energéticas renováveis e tecnologias avançadas de armazenamento de energia. A expectativa é que, ao manter altas exigências ambientais, o Brasil se posicione como um líder no setor, atraindo empresas interessadas em investir em um ambiente saudável e sustentável.
O futuro parecer promissor para a mineração no Brasil, com a combinação de recursos naturais abundantes e a aplicação de novas tecnologias, sinalizando um caminho que pode transformar a indústria e impactar positivamente a economia do país.



