Data centers podem trazer US$ 1 tri para o Brasil em 5 anos. Walter Maciel, CEO da gestora AZ Quest Investimentos, acredita que o Brasil pode capturar até 20% dos investimentos globais em infraestrutura digital, imprescindível para a expansão da inteligência artificial (IA). Essa possibilidade surge em um momento em que o mundo luta para superar a crise energética que limita a construção de novos centros de dados nos principais mercados.
A matriz energética 92% renovável do Brasil coloca o país em uma posição privilegiada para atender essa demanda crescente. Maciel destaca que “o país aparece como a grande solução global” e acredita que o setor de data centers deve crescer cinco vezes nos próximos cinco ou seis anos, podendo chegar a um aumento de até cinquenta vezes em uma década. Um relatório da Coatue Management projeta um ciclo global de US$ 5 trilhões em investimentos em infraestrutura digital nos próximos cinco anos, com um trilhão destinado ao Brasil.
Os principais players do setor, como Meta, Microsoft, Google, Amazon e Oracle, devem investir cerca de US$ 730 bilhões em despesas de capital até 2026. Isso representa o dobro em comparação ao ano anterior, com uma parte significativa desse montante sendo direcionada para enérgicas e infraestrutura. Entretanto, muitos mercados já se encontram saturados, como no caso dos estados americanos que impuseram moratórias em novas instalações, limitando ainda mais a capacidade de expansão.
Qual o impacto da energia renovável no Brasil?
A energia se tornou um dos principais gargalos para o crescimento do setor de data centers. Na Coreia do Sul, o custo da eletricidade subiu 70% em quatro anos, impactando duramente a competitividade das empresas. Maciel afirma: “O índice de preços ao produtor (PPI) na Coreia, em junho, foi de 8,5%”. O Brasil, por outro lado, oferece uma matriz energética muito mais limpa e acessível, com 92% de suas fontes sendo renováveis. O potencial do Brasil está ainda mais evidente com os leilões de armazenamento por bateria, que permitirão ao país estocar e vender energia de forma mais eficiente, principalmente durante períodos de alta demanda.
Além disso, com grandes nomes do setor movendo suas operações para locais com energia disponível, as oportunidades de investimento no Brasil se ampliam. A Scala Data Centers, maior operadora da América Latina, exemplifica esse crescimento, apresentando um aumento anual composto de 52% nos últimos cinco anos. O novo campus em Eldorado do Sul promete ser quase 40 vezes maior que as instalações anteriores, posicionando-se estrategicamente próximo à usina de Itaipu.
Como o investimento em data centers afeta a economia?
A infraestrutura digital é vista como uma oportunidade histórica, mas o investimento público no Brasil é insuficiente, com projeções indicando que, até 2028, as despesas obrigatórias devem ultrapassar as receitas governamentais. Maciel observa: “Não existe economia capaz de se desenvolver sem infraestrutura. O setor privado vai ter que arcar com isso”. Isso faz com que os fundos de infraestrutura digital se tornem cada vez mais relevantes, proporcionando segurança aos investidores. Os inquilinos desses data centers, compostos por gigantes da tecnologia, são empresas que têm um faturamento pouco dependente do mercado interno brasileiro.
Investidores estão, portanto, sendo aconselhados a buscar diversificação, pois a infraestrutura é uma peça fundamental para o crescimento. As ações de ações ligadas a data centers poderão apresentar melhor desempenho quanto a estoques e demanda, destacando-se em um mercado que se adapta rapidamente às novas realidades tecnológicas.
Por que o Brasil não pode perder essa chance?
Maciel reflete sobre como o Paraguai tem se aproveitado de sua vantagem em energia, atraindo empresas para seu território com a energia excedente da Itaipu que o Brasil não optou por reter. Ele destaca que o Brasil não deve descuidar de sua posição estratégica, pois o Paraguai pode não ter a escalabilidade necessária para sustentar a demanda por muito tempo. Eventualmente, essa necessidade vai retornar ao Brasil.
Enquanto o Brasil planeja sua infraestrutura digital, as perspectivas para o setor são promissoras, refletindo uma realidade onde as empresas se adaptam às novas exigências do mercado e crescem com base em um potencial sustentável. Os investidores devem estar atentos às oportunidades que surgirão nesse novo ciclo de investimentos, que se promete ser o mais significativo da história do país. Com a abordagem certa, o Brasil poderá não apenas se firmar como um hub tecnológico, mas também garantir segurança energética para um futuro mais próximo.



