Brasília (DF): Araticum tem projeto de restauração do Cerrado reconhecido pela ONU

Brasília (DF): Araticum tem projeto de restauração do Cerrado reconhecido pela ONU
O projeto Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum) foi reconhecido pela ONU como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial durante a 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia. Com este prêmio, o Brasil se torna o único país com duas iniciativas nesse status, destacando a importância de suas ações na preservação do Cerrado.

O Araticum abriga mais de 180 organizações e atua em diversas regiões, incluindo o Distrito Federal, Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A iniciativa se baseia na colaboração com povos e comunidades tradicionais, que desempenham um papel fundamental nas atividades, como o plantio de sementes nativas e a implementação de sistemas “agrocerratenses”, que combinam práticas agrícolas com a vegetação do bioma.

A coordenadora da Araticum, Fabrícia Santarém, recebeu o prêmio em reconhecimento ao impacto das ações do projeto, que atualmente restaura mais de 27 mil hectares, com uma meta ambiciosa de alcançar 2 milhões de hectares até 2030. “Para nós, é muito importante a restauração inclusiva, trazendo diversos atores para participar do processo”, ressalta Anabele Gomes, também coordenadora da Araticum.

A organização enfrenta desafios, principalmente em relação à interação com o setor privado. Anabele Gomes explica que a restauração e o agronegócio não são forças opostas. “Se a gente não tiver restauração, se não preservarmos o Cerrado, não teremos água. E sem água, não há produção”, afirma. Ela destaca a importância de práticas sustentáveis no uso do solo, enfatizando os benefícios das plantas nativas do Cerrado, que funcionam como esponjas naturais, melhorando a infiltração de água.

No Distrito Federal, a Universidade de Brasília (UnB) tem atuado como um elo entre a coleta de sementes e as práticas de restauração. O Laboratório de Termobiologia da universidade realiza análises de sementes nativas, ajudando a determinar a melhor forma de plantio, levando em consideração características específicas, como a tolerância ao fogo.

Em Brasília, mais de 185 hectares estão em processo de restauração, com a Floresta Nacional de Brasília sendo uma parceira estratégica em diversas iniciativas. O projeto Araticum não apenas busca restaurar áreas degradadas, mas também desenvolve sistemas de cultivo que respeitam e integram a biodiversidade do Cerrado, promovendo a sustentabilidade e a resiliência ambiental.

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