Brasília (DF) — Uma disputa de velocidade entre superesportivos resultou em um inquérito que está chocando a cidade. Os envolvidos, o influenciador digital Luan Marques Galasso, de 30 anos, e o empresário Wesley Araújo, também estão sob investigação. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura um racha que ocorreu em meados de dezembro do ano passado, envolvendo uma Ferrari 458 Itália e duas BMWs, entre as quais uma M850i.

A investigação está a cargo da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), que formalizou o indiciamento de Galasso por crimes de trânsito, incluindo participação em racha, direção perigosa e violação da suspensão do direito de dirigir. Já Araújo, conhecido no meio como o “pai do consórcio”, foi indiciado por incitar a prática de rachas. Este indiciamento foi embasado por laudos técnicos oriundos do Instituto de Criminalística (IC), que demonstraram a velocidade impressionante de 183 km/h, em um local onde o limite é de apenas 70 km/h.

Qual a motivação para o racha em Brasília?

Galasso, conhecido por seus vídeos no YouTube, viajou do Mato Grosso do Sul a Brasília especificamente para pilotar a Ferrari. No entanto, o que parecia ser um momento de diversão se transformou em um episódio de grande preocupação para a segurança pública na capital. O fato de que Galasso já havia tido sua carteira de habilitação suspensa por prática de racha anteriormente, em 2023, no Mato Grosso do Sul, complicou ainda mais sua situação.

As provas apresentadas pela polícia foram contundentes. O vídeo que o influenciador gravou enquanto competia nas ruas de Brasília circulou rapidamente nas redes sociais, tornando-se uma evidência chave para a investigação. A PCDF, mostrando um comprometimento notável com a segurança, destaca que a prática de racha não será tolerada no DF.

Como a sociedade reagiu ao incidente em Brasília?

A audácia dos envolvidos gerou um clamor público. Muitos cidadãos expressaram indignação ao ver a velocidade com que os carros estavam sendo conduzidos em áreas urbanas densamente povoadas, especialmente nas proximidades de escolas e locais com grande fluxo de pedestres. O vídeo mostra claramente a Ferrari disputando espaço com uma BMW, e em um momento impactante, Galasso grita para um motociclista: “Vai um pouquinho mais para lá, que eu vou sair moendo”, antes de acelerar entre os automóveis em um semáforo.

As preocupações com a segurança nas ruas de Brasília levaram o delegado-chefe da 10ª DP, Laércio Rossetto, a emitir um alerta: “Nosso principal objetivo é preservar vidas. E posso garantir que iremos proteger pedestres, ciclistas e todos que circulam pelas ruas do Lago Sul”.

Quais as penas aplicadas aos envolvidos em Brasília?

O caso agora segue para o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para que formalize a denúncia na justiça. É esperado que Galasso enfrente sanções rigorosas, dado que a lei brasileira endureceu as punições para crimes de trânsito que colocam a vida de terceiros em risco. A PCDF também enviará a investigação ao Departamento de Trânsito (Detran-DF) para que sejam aplicadas as sanções administrativas necessárias.

Além das consequências legais, a imagem pública do influenciador pode sofrer um impacto significativo, especialmente considerando a crescente atenção para a responsabilidade de figuras públicas em práticas que podem ser perigosas e irresponsáveis. A sociedade parece estar mais atenta e menos tolerante a condutas que coloquem vidas em risco.

Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a necessidade de uma reflexão profunda sobre a responsabilidade no trânsito, especialmente entre influenciadores que têm um grande número de seguidores e cuja atitude pode influenciar o comportamento de muitos. De acordo com as estatísticas do Detran-DF, o número de incidentes relacionados a rachas e condução imprudente no DF tem aumentado, o que torna este caso ainda mais alarmante para as autoridades.

O que a defesa dos indiciados diz sobre o caso em Brasília?

A defesa de Luan Galasso e Wesley Araújo ainda não se manifestou publicamente, mas a expectativa é que tentem demonstrar a ausência de dolo nas ações. Testemunhas podem ser chamadas para atestar que a corrida não teve a intenção de causar riscos a terceiros, embora o registro em vídeo pareça contradizer essa defesa. A pressão sobre os advogados está aumentando na medida em que as imagens se tornam virais nas redes sociais.

A repercussão do caso pode trazer à tona discussões sobre a presença de leis mais rígidas no trânsito, especialmente em relação a comportamentos de risco que envolvem motoristas arrogantes. A população pede mudanças enquanto espera as decisões das autoridades competentes.

A equipe do Diário do Estado segue acompanhando o caso de perto e trará novas informações assim que forem confirmadas pela polícia. Nossa redação tentou contato com a defesa dos acusados, mas não obteve retorno até a publicação desta notícia.