Brasília (DF) — A capital federal completa 66 anos nesta terça-feira (21), celebrando sua trajetória marcada por momentos históricos que influenciaram o Brasil e o mundo. Desde as primeiras estacas do Marco Zero até eventos atuais, Brasília se tornou símbolo de arquitetura, política e cultura nacional.
O aniversário é marcado por uma retrospectiva visual rara, com imagens que mostram a construção acelerada da cidade, o trabalho incansável dos candangos, a presença de personalidades como Juscelino Kubitschek (JK), Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, além de registros dos principais episódios políticos e sociais vividos no coração do país. A exposição das 66 fotos emblemáticas reforça o papel de Brasília como cenário de mudanças e de acontecimentos decisivos para o Distrito Federal.
Além dos registros históricos, as celebrações deste ano ganham peso extra devido a acontecimentos recentes e à redescoberta do Marco Zero, localizado no tradicional Buraco do Tatu, fato que mobilizou curiosos e estudiosos da história local. O arquivo audiovisual, mantido em parte pelo Arquivo Público do DF, preserva vídeos raros nos quais JK fala sobre a construção e os desafios superados para erguer a cidade do Brasil central em prazo recorde.
O que marcou a construção de Brasília e quais desafios JK enfrentou?
Dentre as imagens históricas, destacam-se as que registram a movimentação intensa de caminhões transportando trabalhadores, batizados de candangos, e o início da obra dos prédios-monumento planejados por Niemeyer e Lúcio Costa. No vídeo do Arquivo Público, JK narra detalhes do planejamento e as pressões para cumprir o prazo constitucional da transferência da capital para o Planalto Central.
A construção de Brasília, entre 1956 e 1960, envolveu mais de 60 mil operários, que enfrentaram condições árduas, com jornadas exaustivas e moradias improvisadas em acampamentos como a “Lonalândia”, atual Candangolândia. Muitos trabalhadores eram migrantes do Nordeste, atraídos pela promessa de emprego e de um futuro melhor. O esforço coletivo resultou na inauguração da cidade em 21 de abril de 1960, um marco que revolucionou o Distrito Federal e mudou os rumos da política nacional.
Por que Brasília (DF) se tornou palco de episódios políticos fundamentais?
Desde sua fundação, a cidade tem sediado acontecimentos que alteraram a trajetória do país. Foi em Brasília que o golpe militar de 1964 se desenrolou, e que anos depois, movimentos importantes de redemocratização, como as Diretas Já, ganharam força. A Esplanada dos Ministérios foi palco de manifestações históricas, de protestos contra diferentes governos a festas populares, como o “É tetra!” da conquista da Copa de 1994.
Brasília também presenciou visitas emblemáticas: a Rainha Elizabeth II em 1968, o Papa João Paulo II em 1980, além de Fidel Castro, Che Guevara e Jean-Paul Sartre, que cruzaram as largas avenidas da jovem capital nos seus primeiros anos. O ambiente político de Brasília, por ser planejado para sediar os Três Poderes, concentra decisões de interesse nacional, tornando a cidade referência em justiça e política.
No campo cultural, a cidade ganhou eventos como o Cine Drive-In, festivais internacionais e shows de artistas brasileiros e internacionais, entre eles Paul McCartney e Mamonas Assassinas, evidenciando o crescimento de Brasília como referência além da política.
Como a história recente moldou a identidade de Brasília e de seus moradores?
Ao longo das últimas décadas, a capital passou por profundas transformações urbanas e sociais. A obra do Metrô do DF, iniciada nos anos 1990, reconfigurou a mobilidade da cidade, enquanto a construção do bairro Noroeste, já em área tradicionalmente indígena, suscitou novos debates sobre território e memória – temas que continuam mobilizando a população brasilienses.
Episódios como a pandemia de Covid-19, registrada em imagens impactantes de escolas sendo higienizadas e profissionais de saúde homenageando colegas vítimas do vírus, aprofundaram o sentimento de solidariedade na cidade. Mais recentemente, o atentado de 8 de janeiro de 2023, com ataques às sedes dos Três Poderes, chocou moradores e deu visibilidade internacional para Brasília. A cidade, marcada por episódios extremos, mantém uma estreita ligação entre história nacional e cotidiano local.
Segundo moradores entrevistados, a força da identidade candanga está justamente na superação das adversidades. Os “filhos de Brasília” orgulham-se de viver em um lugar único, que mistura traços modernos, tradição migrante e diversidade cultural.
Quais as principais curiosidades e personagens históricos ligados a Brasília (DF)?
Entre as personalidades que ajudaram a construir a história de Brasília, destaca-se o próprio JK, cuja trajetória é repleta de episódios pouco conhecidos. Por exemplo, ele ganhou seu primeiro sapato apenas aos 10 anos e manteve correspondência com nomes como Chico Xavier durante o período de exílio na ditadura militar – detalhes explorados em outras reportagens da DE.
Outro nome marcante é o engenheiro Bernardo Sayão, responsável por desbravar áreas do Cerrado e que morreu tragicamente durante as obras da Belém-Brasília, sendo o primeiro a ser enterrado na jovem cidade. Também merece destaque o Brasília Palace Hotel, primeira grande hospedagem do DF, onde passaram líderes mundiais como Fidel Castro, Che Guevara e a Rainha Elizabeth II, evidenciando a importância do espaço para o início da vida social local.
A presença de intelectuais como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir em visitas históricas ainda na década de 1960, bem como os registros dos primeiros festivais de cinema e grandes manifestações populares, mostram que Brasília é muito mais que sede do poder: é centro de acontecimentos culturais e sociais de destaque na região Centro-Oeste.
Como os registros visuais contribuem para a preservação da memória em Brasília (DF)?
Os acervos resgatados pelo Arquivo Público do DF reúnem imagens emblemáticas: desde a fixação da estaca inicial do Marco Zero até flagras raros dos candangos trabalhando sob o sol do Cerrado. Fotografias mostrando a “Lonalândia”, operários tomando café da manhã, e eventos como a inauguração da Catedral e do aeroporto reforçam a importância da memória fotográfica para a identidade regional.
Os vídeos históricos, muitos deles digitalizados recentemente, permitem acessar depoimentos de figuras como JK e cenas dos anos seguintes, documentando lutas estudantis, greve na UnB, e repressão durante o regime militar. Os registros mais recentes também ganham espaço, evidenciando o crescimento populacional, manifestações políticas do início do século XXI e situações inusitadas, como a cobertura de granizo na Esplanada e a festa do “É tetra!” que reuniu multidões em Brasília.
A valorização desse patrimônio é destacada por pesquisadores locais, que consideram o acesso às imagens essências para o fortalecimento dos laços comunitários e entendimento do passado. O uso crescente das redes sociais, especialmente canais do WhatsApp, também tornou o compartilhamento desse conteúdo mais dinâmico e ampliou o debate sobre a história local.
Por que o aniversário de 66 anos é simbólico para Brasília (DF) e região?
O aniversário de 66 anos representa mais do que uma data comemorativa – é, para especialistas, a confirmação do ciclo de transformação contínua vivido pela capital. Nos últimos anos, Brasília foi palco de episódios marcantes: em 2024, o incêndio de grandes proporções na Floresta Nacional alertou para problemas ambientais recorrentes; a chegada da vacina contra a Covid-19, em 2021, trouxe esperança após períodos de luto; e eventos culturais de peso, como o show de Alok e a gravação de filmes premiados, projetaram a cidade no cenário internacional.
Imagens recentes mostram, ainda, o impacto de acontecimentos naturais, a exemplo do registro do cometa que cruzou o céu da capital e foi escolhido pela Nasa como “imagem do dia” em 2025. Essas histórias, compartilhadas hoje por meio de plataformas digitais, ajudam a reaproximar gerações e a fortalecer o sentimento de pertencimento entre brasilienses antigos e novos.
O contexto regional também é evidenciado quando se compara o desenvolvimento de Brasília com cidades vizinhas, principalmente em relação à expansão urbana, oferta de serviços públicos e políticas dedicadas à preservação cultural. A integração do DF com os estados do entorno, como Goiás, é constante e reforça o papel estratégico da capital na região Centro-Oeste.
A data mobiliza não apenas órgãos oficiais, mas também escolas, associações e entidades culturais, que promovem eventos, passeios e debates sobre o passado, presente e futuro de Brasília. Mais informações e registros históricos podem ser acessados diretamente nas tags de Brasília e do Distrito Federal.



