O brechó de luxo Desapego Legal, acusado por clientes de aplicar calotes milionários, atuava principalmente pelas redes sociais e chegou a manter uma sede física em um prédio comercial no Jardim Aquarius, em São José dos Campos. A empresa pertence à empresária Francine Prado, e tanto ela quanto o marido, Filipe Prado dos Santos, foram presos em uma operação policial suspeitos de participação no esquema. A página do brechó no Instagram contava com 212 mil seguidores e mais de 31 mil publicações, oferecendo uma “curadoria de bolsas e acessórios de luxo”, com envio de produtos para todo o Brasil, incluindo bolsas de grife com valores superiores a R$ 20 mil.
O brechó Desapego Legal funcionava em uma das regiões mais valorizadas de São José dos Campos, porém, o espaço foi desocupado no ano passado devido a problemas relacionados ao pagamento do aluguel. Clientes de diversas regiões do Brasil acusam Francine Prado de aplicar um calote de R$ 5 milhões, com quase 100 ações judiciais contra a empresa e diversos boletins de ocorrência registrados em diferentes estados. A investigação teve início em janeiro do ano passado, após denúncias de clientes que não receberam os valores prometidos pela venda de joias, bolsas e roupas de grife.
A prisão do casal foi realizada durante o cumprimento de mandados de prisão temporária e busca e apreensão expedidos pela Justiça, que tramitava o processo no Piauí. O brechó entrou em recuperação judicial, com um pedido aceito pela Justiça com o objetivo de ressarcir os clientes lesados. A defesa alegou que a empresa estava seguindo os trâmites legais para resolver as pendências financeiras, listando quase 700 credores com uma dívida total de R$ 20 milhões. O casal foi localizado em uma residência no bairro Urbanova e levado à delegacia, onde um veículo foi apreendido durante a ação realizada pela Delegacia de Investigações Criminais.
A defesa do casal reiterou que o processo de Recuperação Judicial seguia seu curso regular, com a relação completa de credores da empresa devidamente apresentada nos autos. Os advogados afirmaram ter sido surpreendidos com a ordem de prisão, destacando que a empresa estava cooperando para resolver as questões financeiras pendentes. O casal encontra-se à disposição da autoridade policial competente em São José dos Campos e confia no regular funcionamento das instituições judiciais para esclarecer o caso. Medidas cabíveis serão adotadas para rever a decisão judicial, visando resolver o impasse de forma adequada e dentro dos trâmites legais estabelecidos.




