Há mais de duas semanas sem pistas, polícia ouve pescadores e reforça buscas por crianças desaparecidas em Bacabal
Moradores foram ouvidos como testemunhas por delegados e investigadores que cuidam do inquérito que investiga o caso. Eles vivem em uma vila de pescadores próximo à região onde Anderson Kauã, primo de Ágatha Isabelly e Allan Michael, foi encontrado. Buscas entram no 16º dia.
As buscas pelos irmãos desaparecidos entram no 16º no Maranhão
As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos desde o dia 4 de janeiro em Bacabal (MA), entraram na terceira semana sem nenhuma pista concreta sobre o paradeiro das crianças. Uma comissão formada por oito delegados e investigadores da Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), atua no inquérito que apura o caso.
Nesta segunda-feira (19), um grupo de agentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA) visitou uma vila de pescadores localizada no povoado São Raimundo, nas proximidades de onde Anderson Kauã, de 8 anos, foi encontrado há 12 dias. Ele estava junto com os primos que estão desaparecidos.
➡️ Os moradores foram ouvidos na condição de testemunhas, já que, até o momento, não há indícios de envolvimento deles no desaparecimento, segundo a Polícia Civil. A intenção é reunir o maior número possível de informações que possam contribuir para a localização de Àgatha e Allan.
Paralelamente à investigação, a força-tarefa mantém buscas em áreas de mata, no rio Mearim e em regiões próximas ao quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam, além do povoado São Raimundo.
O Corpo de Bombeiros informou ao DE que o apoio da Marinha foi solicitado por causa do risco aos mergulhadores. A baixa visibilidade, árvores caídas e a forte correnteza dificultam o trabalho no rio. A extensão da busca no leito do rio não foi informada.
A Marinha solicitou que o número de embarcações na área das buscas fosse reduzido para aumentar a eficiência das operações. As equipes devem permanecer na região por 10 dias, com possibilidade de prorrogação.
SONAR AUXILIA NAS BUSCHAS
A Marinha do Brasil passou a usar um equipamento subaquático chamado side scan sonar nas buscas pelas crianças. Ao todo, 11 militares começaram a atuar na operação na manhã de domingo (18).
➡️ O side scan sonar é um equipamento usado para mapear áreas submersas por meio de ondas sonoras. Ele emite feixes para os lados e produz imagens do fundo do rio ou do mar, mesmo em locais com pouca visibilidade.
O equipamento veio do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte, em Belém (PA), e chegou a Bacabal nesse sábado (17).
As buscas no rio Mearim foram intensificadas após o relato de Anderson Kauã, resgatado no dia 7 de janeiro. Ele disse aos policiais que esteve com os primos em uma casa que os agentes chamam de “casa caída”, às margens do rio. Segundo o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, cães farejadores indicaram a presença das crianças no local e desceram uma ribanceira durante as buscas em direção ao rio.
De acordo com a Marinha, o sonar pode apontar:
Objetos submersos: embarcações afundadas, galhos e detritos.
Mudanças no terreno: buracos ou elevações no fundo do rio.
Substâncias na água: óleo ou resíduos.
Alterações de visibilidade: trechos com turbidez ou neblina subaquática.
O vale do rio Mearim tem 98.289 km², o equivalente a 29,6% do território do Maranhão, sendo a maior bacia fluvial do estado, segundo o Projeto de Preservação e Recuperação de Nascentes do Mearim, da Associação de Orientação às Cooperativas do Nordeste (Assocene). A bacia do Mearim abrange 84 municípios, sendo 50 totalmente inseridos no vale. O rio nasce em Formosa da Serra Negra e deságua no Oceano Atlântico, entre São Luís e Alcântara.
CÃES INDICARAM QUE CRIANÇAS ESTIVERAM EM CASA ABANDONADA
Cães farejadores que integram a força-tarefa de busca indicam que as crianças estiveram em uma casa abandonada à margem do rio Mearim durante as buscas realizadas na quinta-feira (15). A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP).
Os cães farejadores identificaram que os irmãos e o primo deles, Anderson Kauã, de 8 anos — resgatado no dia 7 de janeiro — estiveram na residência chamada de “casa caída”. Trata-se de um abrigo simples, feito de barro, troncos de madeira e coberto por palha. A estrutura fica no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão.




