A chinesa BYD acredita que pode assumir a liderança global do setor automotivo — e, se conseguir, a gigante vai desbancar marcas tradicionais, como a Toyota e a Volkswagen. A previsão ousada foi anunciada por Wang Chuanfu, presidente e fundador da companhia, durante uma assembleia anual de acionistas conduzida nesta semana na China.
Apesar de a Toyota ainda estar muito à frente em volume — com 11,3 milhões de carros emplacados em 2025 contra 4,6 milhões da BYD —, o crescimento acelerado da fabricante asiática justifica o enorme otimismo. Enquanto as marcas tradicionais desaceleram seus planos de eletrificação, a BYD segue na contramão, com recordes de vendas internacionais.
Qual a estratégia da BYD para superar a Toyota?
Para atingir a liderança, a BYD deve apostar em uma estratégia agressiva de expansão internacional combinada a inovações exclusivas para carros eletrificados. A empresa segue investindo no desenvolvimento de infraestrutura própria, novas gerações da bateria Blade e sistemas de direção autônoma. Segundo a montadora, mais de 3 milhões de veículos inteligentes já estão em circulação enquanto coletam dados que vão ajudar a transformar em realidade a adoção massiva dos níveis 3 e 4 de autonomia. A Toyota, por sua vez, ainda aposta em híbridos e retarda a entrada em elétricos puros, o que pode abrir espaço para a concorrente.
Como a BYD se compara à Toyota no mercado?
O volume atual ainda favorece a Toyota, que emplacou 11,3 milhões de veículos em 2025. No entanto, a BYD vem crescendo de forma consistente e já ultrapassou a marca de 160 mil vendas internacionais em maio. A diferença diminui a cada trimestre, impulsionada pela presença em mercados estratégicos da Europa, Ásia, Oceania e América Latina. Os carros elétricos da BYD ganham cada vez mais espaço, enquanto a Toyota enfrenta desafios para acelerar sua eletrificação. A vantagem da chinesa está na verticalização da produção e no domínio da tecnologia de baterias.
O que esse crescimento significa para o mercado automotivo?
A escalada da BYD já começa a mudar as posições no ranking global. No Brasil, por exemplo, a montadora ultrapassou a Hyundai e conquistou a quarta posição entre as marcas mais vendidas, com 8,5% de participação. O início das operações do complexo industrial em Camaçari (BA) em 2025 acelerou a nacionalização da frota e fortaleceu a presença local. Esse movimento reflete uma tendência mais ampla no mercado automotivo, onde os fabricantes tradicionais precisam se adaptar rapidamente à ascensão das elétricas.
Ainda assim, assumir a liderança global significa que a BYD vai precisar dobrar o seu volume de vendas até 2030 — um desafio ambicioso que a empresa afirma estar preparada para enfrentar. Com investimentos constantes em tecnologia e infraestrutura, a chinesa busca consolidar a posição de protagonista em um setor em plena transformação.
O futuro dirá se a projeção de Wang Chuanfu se concretiza, mas o ritmo atual da BYD já acende um alerta para a Toyota e outras gigantes. A competição por hegemonia no mercado automotivo está longe de terminar, e a eletrificação é o campo de batalha decisivo.


